Folhapress
O chefe da delegação do Irã na Agência Internacional de Energia Nuclear (Aiea) da ONU afirmou ontem que o seu governo está disposto a continuar as negociações com a União Européia (UE) para encerrar a crise iniciada com a reativação do programa nuclear do país.
''Nós estamos preparados para prosseguir com as negociações com França, Alemanha, Reino Unido e a UE'', disse Sirus Naseri à imprensa após uma reunião de emergência convocada pelos membros da agência que foi suspensa ontem e deve prosseguir hoje.
''Nós não aceitamos mais ficar esperando no frio os europeus aparecerem com uma base plausível para chegar a uma solução'', afirmou, acrescentando que uma proposta do Irã para chegar a um acordo ''ainda estava na mesa''.
O Irã anunciou anteontem a retomada das atividades nucleares na usina de conversão de urânio em Isfahan, confrontando autoridades européias e americanas, que ameaçam levar o país ao Conselho de Segurança da ONU, para puni-lo com sanções econômicas e diplomáticas.
O reinício dos trabalhos na central de Isfahan aconteceu logo depois de a Aiea instalar equipamentos de vigilância no local. O Irã tinha suspendido o trabalho nessa usina e em outras em novembro passado, para evitar possíveis sanções da ONU, e sinalizando que aceitaria renegociar com representantes europeus.
A usina, que está localizada a 15 quilômetros da histórica cidade de Isfahan, converte urânio bruto em gás. O próximo estágio do processo - que diz o governo, não será reativado por enquanto - é levar o gás para centrífugas, onde é enriquecido.
Se o urânio é enriquecido em um nível baixo, ele é usado como combustível nuclear. Níveis mais altos de enriquecimento de urânio podem permitir que a substância seja usada para a fabricação de uma bomba atômica.
Desde 2003, representantes da Alemanha, França e Reino Unido negociam com o Irã o fim do programa nuclear no país, em troca de benefícios comerciais e tecnologia.
No final de julho passado, o então presidente do Irã Mohammad Khatami afirmou que o país iria reiniciar o tratamento de urânio, já que o governo e os negociadores internacionais não chegaram a nenhum acordo. Seu sucessor, Mahmoud Ahmadinejad, que tomou posse em 3 de agosto último segue a mesma linha do antigo presidente a respeito da questão nuclear.
A retomada das atividades nucleares de Teerã abriram uma ''grave crise'', segundo o governo francês , enquanto o Reino Unido se declarou ''profundamente preocupado''.
Os Estados Unidos acusam o Irã de tentar desenvolver armas nucleares, mas autoridades do país insistem que o programa nuclear só tem por objetivo produzir eletricidade, e que os iranianos têm o direito desenvolver o ciclo total para fabricação de combustível - do processamento de urânio bruto para transformá-lo em combustível para reator.

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