Investigação sobre o
acidente do Concorde
pode durar um ano
Nelson Franco Jobim
De Londres
Sob intensa pressão para suspender seus vôos com Concorde, depois do acidente que matou 114 na França e de três problemas de segurança no fim de semana, a companhia aérea British Airways reafirmou ontem sua confiança na sua frota de aviões supersônicos. Representantes da BA, da Air France, dos departamentos de aviação civil da Grã-Bretanha e da França e do Ministério dos Transportes da França reuniram-se ontem em Paris para adotar novas medidas de segurança para o Concorde. As autoridades francesas que investigam o acidente da terça-feira passada admitiram que podem levar um ano para descobrir as causas da tragédia. Os Concordes da Air France estão proibidos de voar.
A BA afirma que a procura pelos vôos do Concorde para Nova York não diminuiu: ‘‘Alguns vôos saíram com poucos passageiros mas em geral temos visto vôos com 60, 70, 80 e até 100% dos assentos tomados.’’ Na sexta-feira, um Concorde partiu totalmente lotado. Mas depois dos problemas do fim de semana, o Concorde que partiu ontem de manhã estava com apenas 42 dos 58 passageiros com reserva.
Durante o fim de semana, um Concorde da BA que deveria seguir domingo pela manhã para Nova York teve problemas de abastecimento. Os passageiros tomaram outro Concorde. Em outro caso, os passageiros ouviram um forte estrondo, como se fosse uma explosão num motor.
Mas o pior caso aconteceu com um avião supersônico com destino a Nova York. Depois que passageiros sentados na parte traseira da aeronave se queixaram de cheiro de combustível, o piloto decidiu fazer um pouso de emergência na Terra Nova, no Canadá.
‘‘Não há nada que a gente possa fazer’’, admitiu o guitarrista e cantor de jazz George Benson, aparentemente despreocupado, ao desembarcar no Canadá. Outro cantor, Tony Bennett, que faz 74 anos amanhã, estava visivelmente aliviado: ‘‘O piloto foi muito responsável e a tripulação lidou com a situação com o maior profissionalismo.’’

mockup