Investigação contra Trump mira demissão no FBI
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segunda-feira, 04 de março de 2019
Danielle Brant <br> Folhapress 
Nova York - A demissão de James Comey como diretor do FBI, a renúncia de Michael Flynn como conselheiro de segurança nacional e outras supostas tentativas de obstrução de Justiça por parte do presidente Donald Trump serão apuradas em uma investigação da comissão judiciária da Câmara dos Deputados americana, aberta formalmente nesta segunda-feira (4).
O presidente e sua administração serão investigados por obstrução da justiça, corrupção e abuso de poder, em um processo que pode formar a base para um eventual pedido de impeachment do republicano.
O órgão enviou requisições de documentos para 81 agências, pessoas e organizações ligadas ao presidente e seus aliados, incluindo a Organização Trump, a Fundação Trump, a campanha eleitoral do presidente, o comitê de posse e a Casa Branca. As cartas com o pedido também foram encaminhadas ao FBI (polícia federal americana), ao Departamento de Justiça e a aliados do presidente.
A comissão vai investigar ainda acusações de corrupção, incluindo possíveis violações de leis de financiamento de campanha, a proibição constitucional de receber remuneração estrangeira e o uso do cargo para ganhos pessoais.
Em comunicado divulgado nesta segunda, o presidente da comissão, Jerrold Nadler, democrata de Nova York, afirmou ser imperativo começar a compilar o registro público do que ele chamou de abusos de Trump.
Segundo ele, o trabalho do órgão deve replicar o do procurador especial, Robert Mueller, que apura potencial obstrução da justiça do presidente, e também o de procuradores federais em Nova York.
"Nós vamos agir rapidamente para reunir essa informação, analisar a evidência, e seguir os fatos aonde eles levem com total transparência com a população americana", afirmou Nadler em comunicado. "Esse é um tempo crítico à nossa nação, e nós temos a responsabilidade de investigar esses assuntos e realizar audiências para o público ter todos os fatos. É exatamente o que nós pretendemos fazer."
Um dos pedidos foi feito a Donald McGahn III, ex-conselheiro da Casa Branca. Nadler solicitou documentos relacionados à renúncia de Michael Flynn como conselheiro de segurança nacional, à demissão de James Comey como diretor do FBI, às tentativas de demitir Mueller, entre outros. Também pediu informações a Annie Donaldson, que trabalhou com McGahn e anotou com detalhes o comportamento de Trump na Casa Branca.
A depender das respostas recebidas, a comissão pode convocar algumas dessas pessoas a depor. As que não forem voluntariamente podem ser intimadas, embora o recurso ainda possa ser questionado na justiça. A Casa Branca poderia também alegar privilégio executivo para proteger alguns dos documentos pedidos pela comissão, como as mensagens trocadas por Trump, McGahn e outros conselheiros.
Nesta segunda, a Casa Branca confirmou ter recebido os pedidos de documentos relacionados à administração Trump, à família do presidente e a negócios. A porta-voz da Casa Branca, Sarah Sanders, afirmou que o pedido será analisado e respondido no tempo apropriado.


