Bagdá - O presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, afirmou ontem em Bagdá, durante sua última visita surpresa ao Iraque, que a invasão americana de 2003 foi ''difícil, mas necessária''. ''A tarefa não foi fácil, mas era necessária para a segurança americana, a esperança dos iraquianos e a paz no mundo'', declarou Bush depois de uma reunião com seu colega iraquiano, Jalal Talabani, a cinco semanas de deixar a Casa Branca.
Talabani qualificou o presidente Bush de ''grande amigo do povo iraquiano, que nos ajudou a libertar nosso país''. Ainda ontem o presidente americano devia assinar de forma simbólica com o primeiro-ministro iraquiano, Nuri al-Maliki, um acordo de segurança concluído entre Bagdá e Washington após quase um ano de árduas negociações. ''Este pacto marca nossa amizade, e constitui um meio de ajudar os iraquianos a realizarem as promessas de uma sociedade livre'', declarou Bush.
Segundo este acordo bilateral, ratificado em novembro pelo Parlamento iraquiano, todos os 146 mil soldados americanos presentes no Iraque deverão ter se retirado do país até o fim de 2011. Será, portanto, o fim de oito anos de presença militar americana no Iraque.
Bush, que será oficialmente substituído por Barack Obama no dia 20 de janeiro, já viajara ao Iraque em novembro de 2003, no dia de Ação de Graças, em junho de 2006 e em setembro de 2007. Mais de 4.200 militares americanos morreram no Iraque desde março de 2003.
Treinamento
No sábado, durante uma visita surpresa à base militar de Balad, ao Norte de Bagdá, do secretário de Defesa dos Estados Unidos, Robert Gates, o general Raymond Odierno revelou que militares americanos permanecerão em cidades do Iraque depois de junho de 2009 para aconselhar e treinar o Exército iraquiano. O acordo de segurança assinado entre Bagdá e Washington prevê que as unidades de combate americanas deixem as cidades iraquianas até 30 de junho de 2009, segundo Odierno, que depois acrescentou: ''Continuaremos dando nossa assistência às equipes de transição. Seguiremos fornecendo conselheiros às forças de segurança''.
''É importante que possamos manter uma presença suficiente aqui para ajudar a superar este ano de transição'', destacou o militar, antes de lembrar que os iraquianos comparecerão três vezes às urnas em 2009: eleições provinciais, legislativas e um referendo sobre o acordo de segurança assinado em novembro com os Estados Unidos. Odierno não revelou quantos militares americanos permanecerão nas cidades depois de junho de 2009.
Ontem, o movimento do clérigo radical xiita Moqtada al-Sadr, contrário à presença americana no Iraque, acusou os Estados Unidos de não ter palavra. ''Como havíamos previsto, as declarações são contrárias ao acordo de segurança'', declarou à AFP o chefe do escritório político do movimento Sadr na cidade sagrada de de Najaf, Liwaa Sumeissim. ''Se rejeitamos o acordo é porque estávamos absolutamente convencidos de que os americanos nunca se sentirão comprometidos, sobretudo se isto for contra os motivos que os fizeram vir ao Iraque'', acrescentou.

mockup