A intervenção militar em Anjuán, que ameaça se transformar num verdadeiro massacre, poderá voltar-se contra o presidente comorense Mohamed Taki Abdulkarim, cuja intenção era demonstrar com esta operação ‘‘a autoridade do Estado’’ sobre a ilha rebelde.
Se for confirmado a situação de massacre evocada por algumas fontes, que falam de dezenas de civis e soldados mortos, ficarão na berlinda o exército e a autoridade exercida sobre ele pelo presidente.
‘‘O governo vai ficar em dificuldades ... O resultado da operação será determinante para a manutenção do governo’’, declarou à AFP um diplomata.
As autoridaes insistiam ontem que o exército federal havia restabelecido a ordem ‘‘sem derramamento de sangue’’ e que continuava ‘‘unido’’. ‘‘Mas todos as testemunhas dizem o contrário’’, assinalou um diplomata que não quis ser identificado.
As armas utilizadas já não eram pistolas de plástico, como propalavam no mês passado os jovens militantes separatistas, que ‘‘brincavam’’ de soldadinhos. Desta vez, tinham fuzis, lança-foguestes e armas pesadas, sempre segundo testemunhas no local.

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