O grupo argentino de direitos humanos Mães da Praça de Maio deu a conhecer ontem uma dura crítica contra a intervenção do papa João Paulo II em favor do ex-ditador chileno Augusto Pinochet. ‘‘Agora não nos restam dúvidas de que lado você estᒒ, disseram as Mães - que perderam seus filhos durante a ditadura argentina (1976-83) - em uma carta a João Paulo II entregue ontem à representação do Vaticano na Argentina.
O documento critica com termos duros a intervenção do pontífice em favor de Pinochet, que está detido em Londres desde outubro do ano passado aguardando um pedido de extradição da justiça espanhola. ‘‘Nós nos dirigimos a você como a um cidadão comum porque nos parece aberrante que do alto de seu trono de papa... anime-se, em nome de Jesus Cristo, a pedir clemência para o assassino (Pinochet)’’, diz a carta. ‘‘Levamos vários dias para assimilarmos o pedido de perdão que você, senhor João Paulo, fez para o genocida Pinochet.’’
Quinta-feira, o Vaticano enviou ao governo britânico uma carta na qual alegava que a ‘‘Santa Sé... por razões humanitárias... reitera ao mundo que sob nenhuma circunstância se deva ofender a soberania nacional do Chile’’, em apoio à tese do governo chileno, segundo a qual apenas esse país pode julgar Pinochet. As Mães têm sido defensoras dos direitos humanos na Argentina e no resto da América Latina desde 1976.

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