Internet faz 40 anos, com desafios pela frente
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sábado, 05 de setembro de 2009
Anick Jesdanunda Associated Press 
Nova York - Os vídeos bobos não eram o que tinham em mente Len Kleinrock e sua equipe da Universidade da Califórnia em Los Angeles (Ucla) quando começaram a trabalhar, há 40 anos, em um projeto que resultou na internet. Tampouco miravam as redes sociais, nem as aplicações que atraem mais de um bilhão de usuários pelo mundo. O objetivo era criar uma rede de intercâmbio livre de informação. Essa liberdade abriu um mundo de possibilidades e frutificou em sites como Youtube, Facebook e a própria web.
Há ainda muito espaço para inovação, mas talvez não exista mais tanta liberdade para se operar. Ainda que a internet seja mais acessível e rápida que nunca, surgem barreiras artificiais capazes de afetar seu crescimento. A rede enfrenta o que poderia ser descrito como uma crise da meia idade, atribuída a uma série de fatores.
Os spams e os hackers obrigam os operadores de rede a erigirem barreiras de proteção. Governos autoritários censuram muitos portais e serviços dentro de seus países. E considerações comerciais fazem com que se imponham políticas que prejudicam os rivais, especialmente em aparatos portáteis como o iPhone.
''Há mais liberdade para que o usuário comum da internet possa jogar, comunicar-se, fazer compras, há mais oportunidades do que nunca'', afirma Jonathan Zittrain, professor de Direito e cofundador do Centro Berkman para a Internet e a Sociedade, de Harvard. ''Ao mesmo tempo, há algumas tendências que fazem muito mais factível o controle (da informação).''
Uso cotidiano
Poucos prestaram atenção, em 2 de setembro de 1969, quando 20 pessoas se reuniram no laboratório de Kleinrock, na UCLA, para observar a troca de informações entre dois robustos computadores. Esse foi o início da rede Arpanet. Na década de 1970, foram criados os correios eletrônicos e os protocolos de comunicação TCP/IP. Na década de 1980, foi inventado um sistema de endereços empregando sufixos como ''.com'' e ''.org'', generalizados atualmente.
A internet floresceu ajudada pela ausência de regulações e considerações comerciais, que poderiam ter sido obstáculos. Quando Berners-Lee inventou a web, em 1990, ofereceu ela ao mundo sem ter que buscar permissões ou lidar com sistemas de segurança ''firewall'', tão em moda hoje em dia.
O idealismo inicial de uma rede totalmente livre, porém, está se desvanecendo aos poucos. Uma disputa entre o Google e a Apple é um exemplo disso. Similar a outros aparatos portáveis que permitem conexão com a internet, o iPhone da Apple restringe os programas de software que se pode utilizar nele. Apenas podem ser usados aplicativos aprovados pela empresa. A Apple recentemente bloqueou a aplicação Google Voice, argumentando que ela invalida a interface do aparelho.
Ninguém sugere, no entanto, a remoção total das barreiras. Os firewalls e os filtros de spam tornaram-se ferramentas essenciais com a disseminação da internet e o consequente tráfego de vírus de computador capazes de roubar senhas e informações confidenciais. A remoção dessas barreiras poderia, inclusive, criar problemas ainda maiores. O que os mais destacados engenheiros da internet tentam evitar é que essas barreiras provoquem tantos transtornos que esmaguem novas ideias antes que elas criem raízes.


