Lúcio Flávio Moura
Enviado a Puerto Iguazú
Especial para a Folha
A eleição presidencial que chama atenção do mundo para a Argentina hoje tem despertado pouco interesse na pequena Puerto Iguazú, na província de Misiones, Nordeste do país e fronteira com Foz do Iguaçu.
À exceção de um showmício de Palito Ortega, cantor romântico de grande popularidade que é vice na chapa de Eduardo Duhalde (Partido Justicialista), ocorrido em agosto, a campanha presidencial não ganhou as ruas da cidade, a 1.288 quilômetros de Buenos Aires.
As poucas faixas e cartazes se concentram apenas na avenida principal. Não se vêem cabos eleitorais. O assunto não entra na pauta dos encontros matinais dos aposentados que jogam cartas na praça e não causa discussões apaixonadas, tão ao gosto argentino.
‘‘A eleição não muda nada para o povo daqui. Nós estamos longe demais. Os políticos esquecem que existimos. Tratam-nos como cidadãos de terceira categoria’’, diz Leonardo Luis Mendoza, 40 anos, dono de uma frota de quatro táxis que passa mais tempo estacionada do que circulando.
Segundo previsões de jornais de Misiones, a apuração dos 14 mil votos do município dará a vitória ao candidato governista, contrariando a tendência de sondagens nacionais que apontam vitória de De la Rúa já no primeiro turno. Há pouco mais de um mês, o prefeito peronista Timóteo Llera foi reeleito com uma vitória esmagadora. Ele recebeu 65% dos votos.
A cidade, que já foi um fervilhante centro comercial na era pré-Menem, frequentado por turistas brasileiros em busca de vinhos, azeitonas, embutidos e artigos de couro bons e baratos, foi transformada na segunda metade desta década em uma cidade quase fantasma.
Os dois duros golpes na economia local – a dolarização e a implantação do Mercosul – fizeram desaparecer os empregos e um terço dos moradores. Puerto Iguazú chegou a ter 30 mil habitantes. Hoje tem 20 mil.

mockup