Intercambistas vivem momentos de tensão
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sexta-feira, 11 de março de 2011
Paula Costa Bonini <br> Reportagem Local 
Londrina - A notícia de que a costa nordeste do Japão havia sido atingida por um forte terremoto e por um tsunami de quase dez metros de altura deixou as intercambistas Ririko Inaya e Chieri Kambara, ambas de 20 anos, apavoradas na manhã de ontem. Assim que souberam da tragédia, as jovens que chegaram em Londrina há pouco mais de 10 dias e que nunca estiveram no Brasil antes, começaram a tentar contato com suas famílias, que residem na cidade de Chiba, que fica a 34 quilômetros de Tóquio.
''Acordamos com a ligação de um amigo perguntando se estávamos sabendo da tragédia e se a nossa família estava bem. Ficamos muito assustadas'', relatou Chieri, que ficou ainda mais preocupada quando tomou conhecimento do número de mortos, desaparecidos e feridos. ''Fiquei aliviada quando consegui falar com a minha família. Conversei por telefone com a minha irmã, que disse que todos estavam bem'', acrescentou.
Apesar disso, Chieri ainda não está totalmente tranquila. ''Meu namorado, que está no Japão, ainda não conseguiu notícias da família dele. Estou com medo'', declarou a jovem, em tom apreensivo.
''Quando assisti as imagens da destruição e das ondas gigantes levando tudo fiquei em choque. Achei um horror'', afirmou Ririko. ''Sorte que consegui falar logo com a minha família'', disse. Chieri e Ririko vão ficar até o final do ano em Londrina, onde estão estudando a cultura brasileira e o português.
A diretora do Núcleo de Estudos da Cultura Japonesa da Universidade Estadual de Londrina (UEL), Estela Okabayashi Fuzii, ficou preocupada com as intercambistas quando soube da tragédia. ''Nunca vi nada parecido. Fiquei chocada com as imagens. Antes delas acordarem já liguei para a universidade em que estudam (Kanda University International Studies) para saber se a cidade de Chiva havia sido muito atingida. Também me informei sobre os familiares delas e soube que estavam bem'', contou Estela, que também é diretora da Aliança Cultural Brasil - Japão do Paraná.
Estela acredita que o desastre vai mudar a situação dos dekasseguis no Japão. ''Acredito que muitos voltarão ao Brasil e vai diminuir a quantidade de brasileiros indo para o Japão pelo menos por um tempo. A economia vai ficar abalada'', avaliou. A estimativa é que hoje cerca de 240 mil brasileiros vivem no Japão.


