Intercambistas relatam experiência vivenciada no Japão
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quarta-feira, 16 de março de 2011
Fernanda Carreira <br> Reportagem Local 
Londrina - Recém-chegadas ao Brasil, as intercambistas japonesas Narumi Omine, 21 anos, e Hitomi Chinen, 20, relataram ontem à FOLHA a experiência de vivenciar momentos de tensão e medo com o terremoto e o tsunami que assolaram o país asiático na sexta-feira. As jovens cursam Cultura Internacional, na Universidade do Meio, cidade de Nago (província de Okinawa - extremo sul do Japão).
Este foi o pior tremor a atingir o Japão e um dos sete mais fortes da história. O tsunami de sete metros devastou a costa leste do Japão, deixando um rastro de destruição e arrastando carros, navios e até mesmo casas, além de causar incêndios.
''Quando eu comecei a sentir os primeiros tremores, eu estava em uma biblioteca em Yokohama, cidade próxima de Tóquio, lendo um livro. Tudo começou a se mover e eu pensei que eu estava com alguma tontura'', contou Narumi, que veio ao Brasil juntamente com Hitomi, para o intercâmbio de um ano no país, sob o acompanhamento da diretora do Núcleo de Estudos da Cultura Japonesa da UEL, Estela Okabayashi Fuzzi.
''Quando eu reparei que os livros da loja começaram a cair e vi que algumas pessoas se deitaram embaixo dos móveis e outras correram para fora, percebi que se tratava de um terremoto'', declarou. A intercambista revela que os tremores onde mora duraram cerca de três minutos, mas foi o suficiente para assustar as pessoas que estavam na biblioteca. 'Eu que nunca tinha presenciado um fenômeno como aquele vi diante de mim o asfalto se rachando e os carros todos parados. Levei um grande susto'', acrescentou.
Narumi conta que após o início dos primeiros tremores, ela ligou para o pai para saber como estava tudo na casa e assim que pôde voltou para a casa da família em Yokohama. Narumi disse ainda que, apesar da região onde o pai mora ter sido pouco atingida pelos efeitos do terremoto, o que ainda a preocupa é um amigo que mora em Sendai, uma das regiões mais afetadas.
De acordo com a intercambista, o que mais a assustou foi o cair dos livros e a correria das pessoas dentro da livraria. ''Eu vi uma senhora desmaiando e muitas outras correndo em meio aos livros'', contou Narumi.
A colega Hitomi conta que estava em Naha, capital da província, quando começaram os tremores. Ela pôde acompanhar os efeitos catastróficos do terremoto pela televisão. Para Hitomi, a sensação de ver parte do país onde nasceu destruído é ''indescritível.'' ''Primeiro veio o susto e depois o pânico de imaginar que tudo aquilo pode acabar afetando o sul do meu país, a região onde está meus pais, irmãos e avós'', afirmou.
Segundo as estudantes, apesar do que ocorreu no país, em nenhum momento, elas pensaram em desistir da viagem ao Brasil. ''Fiquei muito tempo dentro do avião e apesar de eu tentar ver como era a cidade lá de cima não consegui. Fiquei um pouco perdida quando desci do avião e vieram aquelas câmeras de TV em cima de mim'', disse Hitomi.
Quando questionada sobre a sensação que fica ao se lembrar que sua terra natal está sofrendo tantas tragédias, Narumi finalizou: ''Apesar de o fenômeno ter ocorrido mais nordeste do país, eu sei que com o passar do tempo, ele pode chegar até Okinawa e isso me entristece e me preocupa muito.''


