A possibilidade de grupos ligados a extremistas do Oriente Médio estarem em território nacional ou a menos de 500 metros, na vizinha Ciudad del Este, no Paraguai, colocou a Polícia Federal (PF) em alerta. Um grupo antiterror já está atuando em Foz do Iguaçu após o atentando ao World Trade Center, em Nova York, e ao Pentágono, em Washington, e seis pessoas que figuram como suspeitos de envolvimento com terroristas já estão sendo monitorados pela PF na fronteira.
O trabalho vem sendo feito por uma equipe altamente especializada em terrorismo que age secretamente, se reportando apenas ao diretor-geral da PF, Agílio Monteiro Filho. O grupo conta com o auxílio da área de inteligência da polícia do Paraguai, que também colocou uma tropa de elite nas investigações, dirigidas basicamente pela Polícia Nacional e até pelo procurador-geral de Justiça do país, Marcos Alcaraz.
Os nomes dos seis suspeitos são guardados em sigilo. A polícia paraguaia irá formalizar às autoridades brasileiras o monitoramento de Souzan Ali Kasttmar, a única mulher que consta na relação da Interpol. Ela é libanesa e está sendo procurada para ser interrogada junto com seu compatriota, Wissan Attoui Attoui. ''Mas não temos nada contra eles, por enquanto'', assinala um delegado da área de inteligência da polícia brasileira.
Desde o atentado do dia 11 passado todos os 10 mil árabes que moram na fronteira do Brasil e Paraguai passaram a ser vistos com outros olhos. ''Não se pode achar que tudo que acontece no mundo é culpa de árabes e mulçumanos'', afirma o presidente do Centro Islâmico de Foz do Iguaçu, Ale Said Rahal. ''Ninguém provou, até agora, que os atentados foram provocados por eles.''
Mas as polícias dos países fronteiriços admitem que há árabes na região financiando o terror pelo mundo. Investigações feitas pelas autoridades paraguaias comprovam que a relação entre o país e o islamismo vem de 1984, quando armas foram enviadas para o Irã, via Paraguai, para ajudar extremistas a derrubar o xá Reza Palevi.

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