Intensificam-se os protestos na Argentina
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segunda-feira, 10 de setembro de 2001
France Presse 
As manifestações de rua e as greves se intensificaram ontem em protesto contra o ajuste fiscal na Argentina, onde a cada dia 8 mil pessoas caem na indigência, segundo um estudo da empresa de consultoria privada Equis.
Centenas de desempregados provenientes do Norte argentino, liderados pelo sacerdote católico Jesús Olmedo, chegaram ontem às portas de Buenos Aires, através de uma Marcha dos Pobres e dos Excluídos, após 1.200 km de estradas.
Várias dezenas de manifestantes instalaram ontem um Acampamento Sanitário de protesto em frente à sede do Programa de Ajuda Mútua Integral (Pami), a obra social que atende a quase quatro milhões de aposentados e que está em vias de ajuste pelo recente acordo do governo com o Fundo Monetário Internacional (FMI).
Entrementes, a Equis revelou também em um informe à imprensa que cresceu de 10% a 14% o índice de indigentes, que ganham menos de 63 pesos (igual em dólares) mensais e consomem menos de 2.700 calorias diárias.
Artemio López, presidente da empresa, consultado pela rádio Rock And Pop, disse que durante os últimos seis meses 8.000 pessoas por dia caíram na indigência, abaixo da linha da pobreza, segundo dados do oficial Instituto Nacional de Estatística e Censos (Indec).
Os indigentes somariam agora cinco milhões.
No âmbito da resistência ao programa de ajuste, que reduziu em 13% os salários oficiais, começou ontem uma greve nacional de 48 horas de 50.000 docentes universitários, sob a palavra de ordem ''em defesa da educação pública, e contra o modelo neoliberal''.
Professores da Universidade Nacional de La Plata, 60 km ao sul de Buenos Aires, iniciaram a greve pendurando-se nas palmeiras do bosque onde está a maioria das casas de estudos e levando consigo os quadros-negros, em uma insólita forma de protestos.
A frase ''estar pendurado na palmeira'', de onde serão dadas as aulas enquanto durar a greve, significa na Argentina não ter dinheiro suficiente para comer e viver.
MenemA Justiça suíça informou, ontem, que não conseguiu encontrar nenhuma conta bancária que esteja ligada às acusações feitas ao ex-presidente argentino Carlos Menem de que ele seria o chefe de uma rede de contrabando de armas. A Justiça argentina pediu no início de agosto ao governo suíço que bloqueasse as contas de uma empresa supostamente vinculada a Menem em dois bancos, alegando que elas conteriam fundos procedentes de subornos por contrabando de armas. No entanto, os funcionários da Justiça suíça divulgaram ontem uma declaração em que dizem que um dos bancos citados nem está sediado na Suíça e que no outro nada foi encontrado.


