QuitoOs presidentes reunidos na II Cúpula Sul-americana, que se realizou, sexta-feira e ontem, na cidade equatoriana de Guayaquil, disseram que a integração física de estradas, portos, aeroportos, ferrovias, redes elétricas e telecomunicações é uma necessidade imperiosa dos sul-americanos para enfrentar os desafios da globalização.
O presidente brasileiro, Fernando Henrique Cardoso, reforçou a idéia de que a integração é o recurso mais apropriado que a América do Sul dispõe para depender cada vez menos de um mundo ''unipolar''. Já na primeira sessão de debates, ele assegurou que a integração física permitirá à América do sul superar a fome, a pobreza, o subdesenvolvimento e o atraso social. No entanto, Fernando Henrique Cardoso disse que este empenho exige grandes investimentos e compromissos firmes dos países sul-americanos.
O governante brasileiro foi respaldado pelo chileno Ricardo Lagos, que se antecipou em pedir aos organismos multilaterais ligados à região (Banco Interamericano de Desenvolvimento e Corporação Andina de Fomento) um tratamento especial para empreender os projetos de integração. Para Lagos, deve ser criado um sistema de negociação de crédito com organismos multilaterais que parta das condições específicas da região.
O presidente paraguaio, Luis González Macchi, lembrou que a integração física da região já têm suas bases e evocou a figura do falecido presidente peruano Fernando Belaunde, que havia proposto há décadas construir uma estrada que una a Venezuela à Argentina. Macchi concluiu que só a integração física permitirá à América do Sul melhorar sua economia, mas também sugeriu que este processo inclua setores como o turismo, a interconexão de gasodutos e oleodutos e redes de transmissão de dados através de fibra óptica, entre outros.
O presidente argentino, Eduardo Duhalde, disse que a integração requer a eliminação de problemas fronteiriços entre países da América do Sul para oferecer maior garantia ao processo de unidade. Para Duhalde, chegou a hora de ''derrubar fronteiras e construir pontes''.
Os governantes discutiram o chamado ''Consenso de Guayaquil para a integração, segurança e infra-estrutura para o desenvolvimento'', uma declaração que permitirá dirigir ambiciosos projetos de integração física, energética e de telecomunicações.
Esforço andinoO secretário-geral em funções da Comunidade Andina de Nações (CAN), Sebastián Alegrett, pediu aos governantes dessa região que aceitem sua proposta de consenso sobre a Tarifa Externa Comum (AEC, sigla em espanhol), cuja aprovação considerou ''inadiável''. Em uma carta enviada aos presidentes andinos que participaram da II Cúpula Sul-americana em Guaiaquil (Equador), Alegrett, que deixará seu cargo em 16 de setembro, reconheceu ''a imensa dificuldade'' para conseguir um acordo sobre o AEC que regerá o comércio entre os países da CAN. Por isso, delineou ''uma proposta simples, sólida e bem sustentada que talvez não satisfaça de maneira plena as aspirações de cada um, mas que tem a virtude de romper a inércia''.

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