Instalado o primeiro governo iraquiano pós-Saddam
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domingo, 13 de julho de 2003
France Presse 
Bagdá- O Conselho de Governo transitório, o primeiro poder executivo iraquiano desde a queda de Saddam Hussein, se reuniu pela primeira vez ontem, em Bagdá, enquanto as forças americanas lançavam a quarta ofensiva contra os partidários do ex-presidente no centro do país. É um ''dia histórico'', afirmou o administrador americano do Iraque, Paul Bremer.
''De acordo com suas principais prioridades, o Conselho concentrará todos sues esforços no restabelecimento da segurança e a estabilização e o impulso da economia nacional'', declarou o aiatolá xiita Mohammad Bahrul Ulum, um dos 25 membros do organismo, ao ler um comunicado na presença da imprensa.
A primeira decisão do Conselho de Governo, presidido ontem pelo aitolá Bahrul Ulum, de 80 anos, foi simbólica e consistiu em declarar feriado o dia 9 de abril, data da entrada das forças americanas em Bagdá e a queda de Saddam Hussein.
O Conselho também decidiu suprimir os feriados instaurados no Iraque pelo Baath, o partido de Saddam (8 de fevereiro, aniversário da primeira revolução baathista no Iraque em 1963; e em 17 de julho, aniversário da chegada do Baath ao poder, em 1968).
Bremer, assim como o representante britânico no Iraque, John Sawers, e o representante especial da ONU para o Iraque, o brasileiro Sérgio Vieira de Mello, foram recebidos na entrada da sede de governo por Ahmad Chalabi, chefe do Congresso Nacional Iraquiano (CNI), acompanhado por Adnan Pachachi, dirigente da União de Democratas Independentes, e por Khalal Talabani, líder da União Patriótica do Curdistão.
A instalação do executivo iraquiano coincidiu com o lançamento de uma nova grande ofensiva militar americana, batizada de ''Serpente de Hera'', contra os opositores à presença americana no centro do Iraque.
A ofensiva, realizada pela 4 divisão da Infantaria, procura ''neutralizar os paramilitares do partido Baath e outros elementos subversivos'', disse o cabo Todd Pruden, baseado no sul de Tikrit, reduto do ex-ditador Saddam Hussein. ''Trata-se de uma operação preventiva contra os dirigentes do antigo regime e elementos rebeldes que preparam ataques contra as forças da coalizão'' anglo-americana, afirmou o Pruden.
A ofensiva acontece ao longo da estrada do Norte, nos arredores das cidades de Baiji, Huwayiah e Samarra, regiões sunitas onde há vários partidários do ex-ditador.
A reunião do Conselho foi realizada na sede do ex-ministério da Indústria Nacional, perto do Palácio da República, onde está instalado o quartel-general da coalizão.
O Conselho de Governo transitório gestionará durante um ano sob vigilância de Bremer, que terá de direito de veto nas decisões. Bremer, falando ao jornal The New York Times de ontem, alertou sobre uma nova onda de violência nos próximos meses por parte de um pequeno grupo leal ao regime de Saddam Hussein e ''uma intensificação do terrorismo por parte de não-iraquianos'', que visam sabotar o progresso no país. A opinião de Bremer aparece em um artigo intitulado ''O caminho do Iraque e como percorrê-lo''.
''Este é o mais recente sinal de progresso'', afirmou Bremer. O primeiro poder executivo iraquiano do pós-guerra ''exercerá imediatamente um poder político real, nomeando ministros interinos e trabalhando com a coalizão em políticas e orçamentos''.


