Inspirador das Brigadas Vermelhas volta à Itália
PUBLICAÇÃO
domingo, 29 de junho de 1997
Agência Estado Paris 
O vôo 666, Roma-Paris, da Air France, marcado para amanhã, deve ser bastante movimentado. Isso porque ele leva de volta à Italia Antonio Toni Negri, tolerado durante 14 anos na França. Ele era tido como inimigo público número um da Itália. Negri, atualmente com 64 anos de idade, filósofo, 5 livros publicados, condenado a 12 anos de reclusão (já cumpriu 4,6 anos) por insurreição armada é acusado de ser o cérebro da luta armada desencadeada pelas chamadas Brigadas Vermelhas.
Esse grupo terrorista se rebelou, a exemplo de outros na Europa, contra o sistema político que controlava a Itália do pós-guerra, basicamente a democracia cristã. E optou pela violência como forma de luta política, multiplicando suas ações, sequestros e execucões, incluindo o assassinato do ex-primeiro-ministro Aldo Moro. A Itália não é mais a mesma. Também Negri admitiu em entrevista à AE na véspera de sua partida ter também mudado - talvez influenciado por amigos intelectuais que faz questão de citar, Giles Deleuze e Felix Guattari, homens que facilitaram sua integração na França.
Negri embarcará, provavelmente, acompanhado de um policial italiano que o procurará quando o avião ingressar no espaço aéreo italiano para dar voz de prisão. Ele deverá ser levado à prisão central de Roma, onde, segundo o filósofo, um apartamento já deve ter sido reservado. Os advogados dele acham que ele ficará preso entre 4 meses e 12 meses. É réu primário e poderá obter liberdade condicional na metade da pena. Isso se um segundo processo - ainda sem julgamento - não for levado adiante e aumentar sua pena.
A história de Toni Negri foi também marcada por uma eleição, na qual elegeu-se deputado e pela cassação de seu mandato numa tumultuada sessão da Câmara dos Deputados. Durante seu exílio, Negri aproximou-se de muitos intelectuais brasileiros e nos final do governo do general João Batista Figueiredo chegou a ser convidado a lecionar na Unicamp, pelo então reitor e atual ministro da Educação, Paulo Renato. Sua vinda acabou sendo desaconselhada pelo padrinho Fernando Henrique Cardoso, após uma série de contatos com o Ministério das Relações Exteriores. Negri disse, no entanto, que não abandonou seu plano de trabalhar com os amigos brasileiros, depois de regularizar sua situação na Itália.


