Nova York Os chefes da missão de inspeção da ONU no Iraque pediram, ontem, ao Conselho de Segurança mais ''vários meses'' para concluir seu trabalho e apresentaram um balanço muito moderado da cooperação do regime de Bagdá acusado de deixar sem resposta muitas perguntas sobre a posse ou não de armamento proibido.
Bagdá permitiu o acesso aos lugares mas não deu provas de que tivesse destruído todas suas armas que continham o bacilo do antraz, informou Hans Blix, diretor executivo da Comissão de Controle, Inspeção e Verificação da ONU (UNMOVIC). Ele também denunciou a importação ilegal, pelo Iraque, de 300 motores de mísseis. Bagdá procedeu ''à importação, no curso dos dois últimos anos, de um determinado número de materiais, apesar das sanções, em vigor até dezembro de 2002. Em primeiro lugar figura a compra de 300 motores, com capacidade para serem utilizados por mísseis Al Samud-2'', declarou Blix durante a apresentação de seu relatório ao Conselho de Segurança das Nações Unidas.
Mohamed ElBaradei, encarregado da parte nuclear das inspeções, enquanto diretor da Agência Internacional da Energia Atômica (AIEA), pediu ao Conselho ''alguns meses mais'' para que os expecialistas realizem 100% seu trabalho. No entanto, indicou que não foi identificada até agora ''nenhuma atividade nuclear proibida'' e pediu a Bagdá informações sobre as tentativas de adquirir urânio.
''Infelizmente'', declarou Blix, a declaração de 12.000 páginas enviada pelo Iraque no dia 7 de dezembro à ONU, segundo estipulava a resolução 1441 do Conselho de Segurança, ''não parece conter nenhum elemento novo''. Por isso, pediu ao Iraque ''mais esforços'' para que esta lista de armamento seja ''exata''.
''Parece que o Iraque não aceitou completamente o pedido de desarme para ganhar a confiança do mundo'', considerou Blix, acrescentando que não basta que o Iraque diga que não possui armamento proibido; tem que provar e esclarecer as dúvidas da comunidade internacional.
Esta apresentação das conclusões dos especialistas da ONU viu-se seguida de uma reunião a portas fechadas.

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