Inspetores investigam mísseis iraquianos
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terça-feira, 03 de dezembro de 2002
France Presse 
Bagdá Os técnicos em desarmamento da ONU se dedicaram o dia de ontem, o quinto de suas inspeções, a estudar o programa balístico de Bagdá, no momento em que Rússia e China pedem uma solução diplomática no Iraque. Duas equipes fizeram visitas ontem, uma a um edifício em Bagdá onde se trabalha no programa de mísseis e a outra a uma fábrica de álcool, em Bakuba, perto da capital, que nunca tinha sido inspecionada antes, segundo o Iraque.
O centro de pesquisas do projeto Al-Karama em Bagdá, que participa no desenvolvimento dos mísseis Al-Hussein, atualmente proibidos, recebeu ontem de manhã a visita de uma equipe de técnicos.
A missão anterior de desarmamento da ONU, Unscom (1991/98), havia colocado sob controle permanente o local onde os cientistas iraquianos trabalharam para aperfeiçoar os sistemas de direção dos mísseis Al-Hussein.
Os inspetores estavam interessados particularmente nos giroscópios adquiridos por Bagdá para construir os Al-Hussein, a versão iraquiana do Scud de fabricação soviética, de 650 km de alcance. Desde o fim da Guerra do Golfo, em 1991, a ONU proíbe ao Iraque a posse ou fabricação desse míssil. Bagdá só está autorizada a possuir mísseis de alcance inferior a 150 quilômetros.
O Iraque pediu ao secretário-geral da ONU, Kofi Annan, que intervenha para conseguir a suspensão dos ataques aéreos dos Estados Unidos e Grã-Bretanha contra seu território, uma vez que o último deles causou quatro mortes este domingo, segundo Bagdá.
Denúncia de tortura Um relatório divulgado ontem pelo Ministério britânico das Relações Exteriores denuncia a tortura ''sistemática'' aos opositores políticos iraquianos pelo regime ''cruel'' de Saddam Hussein. O ministro das Relações Exteriores britânico, Jack Straw, denunciou o ''terror sistemático imposto diariamente pelo presidente iraquiano, Saddam Hussein, contra seu próprio povo''.
Em seu segundo relatório contra Saddam Hussein, em dois meses, a Grã Bretanha critica as condições ''desumanas e degradantes'' dos prisioneiros políticos e as execuções sumárias. Segundo o documento, ''Saddam Hussein se mostrou cruel com os opositores desde que chegou ao poder, em 1979, mostrando desapreço pela vida humana e pelo sofrimento (...) O Iraque é um lugar terrível para viver, porque o regime ignora as resoluções da ONU e os Direitos Humanos''.
O relatório enumera os vários tipos de tortura praticados pelo regime iraquiano, incluindo violência sexual, e se baseia em testemunhos de exilados iraquianos, no trabalho de funcionários das Nações Unidas e em informações de organizações de Direitos Humanos e dos serviços de inteligência.


