France PresseComitê de recepçãoOs inspetores das Nações Unidas desembarcaram ontem no Aeroporto de Habbaniya, a 100 quilômetros de Bagdá. As pichações diziam: ‘‘Abaixo os EUA’’Os membros da Comissão Especial da ONU (Unscom) retornaram ontem ao Iraque para retomar a inspeção de instalações militares, depois de uma crise de três semanas resolvida graças à diplomacia russa. Os EUA, entretanto, continuaram concentrando forças no Golfo e garantiram que a Rússia não os fará mudar de idéia quanto à manutenção do embargo econômico imposto pela ONU ao Iraque em 1990, após a invasão iraquiana do Kuwait.
Os 75 inspetores - entre eles, 6 americanos - chegaram ao aeroporto de Habbaniya (100 quilômetros a oeste de Bagdá) num avião C-130 da ONU procedente do Bahrein. Nos muros ao redor do aeorporto e na própria pista de pouso, pichações diziam: ‘‘Abaixo a América.’’ Os americanos foram para Bagdá num jipe e os demais, em dois ônibus. O chefe da Unscom, Richard Butler, disse que o trabalho de suas equipes recomeçará hoje.
O retorno coincidiu com a chegada de dois dos seis aviões ‘‘invisíveis’’ americanos F-117A enviados ao Kuwait e do porta-aviões George Washington - que se uniu ao Nimitz, já no Golfo. Também estava prevista para ontem a chegada de seis bombardeiros B-52 à base britânica em Diego Garcia, no Oceano Índico.
‘‘Precisamos garantir que os inspetores possam desempenhar suas tarefas sem obstáculos’’, disse o presidente americano, Bill Clinton. ‘‘Que ninguém se engane: permaneceremos vigilantes e resolutos para impedir que Saddam Hussein reconstitua seus programas de armas de destruição em massa’’.
Desde o dia 29 Bagdá vinha impedindo a participação dos americanos nas inspeções (sob a alegação de que eles seriam ‘‘espiões’’), levando a Unscom a suspendê-las. Na semana passada, o Iraque expulsou os americanos e Butler decidiu, então, retirar todo seu pessoal. Enquanto os EUA ameaçavam usar a força, o chanceler russo, Yevgueni Primakov, acertou com o vice-primeiro-ministro iraquiano, Tareq Aziz, um acordo para o fim da crise - aprovado quinta-feira pelos parceiros de Moscou no Conselho de Segurança.
Segundo as grandes potências e o próprio Iraque, o acordo não prevê nenhuma concessão a Bagdá. Moscou só se comprometeu a trabalhar para o fim do embargo da ONU. Entretanto, ao ser indagada ontem sobre se os EUA poderiam ser influenciados pela Rússia a não vetar, no Conselho de Segurança, uma eventual proposta para o levantamento das sanções, a secretária de Estado americana, Madeleine Albright, foi enfática: ‘‘A resposta rápida é não’’. Ela disse que Washington não cederá ‘‘até que Saddam cumpra suas obrigações sob as resoluções’’ do Conselho de Segurança.
Basicamente, as resoluções exigem o desmantelamento dos arsenais iraquianos de destruição em massa e a eliminação da capacidade do país de produzir tais armas. A França tem pressionado para que o Conselho de Segurança determine o que o Iraque já cumpriu e o que falta, para dar a Bagdá ‘‘uma luz no fim do túnel das sanções’’.

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