Bagdá Os técnicos em desarmamento que chegaram a Bagdá segunda-feira se reuniram ontem em seu quartel general em Bagdá para preparar as inspeções, que serão reiniciadas hoje. A comunidade internacional, por sua vez, intensificou os apelos ao Iraque para que mostre cooperação total.
Após chegar a Bagdá, os 18 técnicos da Comissão de Controle, Verificação e Inspeção da ONU (Cocovinu) e da Agência Internacional de Energia Atômica (Aiea) se instalaram no último andar do Hotel Canal, nas dependências que entre 1991 e 1998 estiveram ocupadas pelo antigo órgão encarregado de desarmar o Iraque, a Unscom. Sua missão consistirá em estabelecer se o Iraque possui ou não armas de destruição em massa.
Seu chefe, Hans Blix, assinalou na véspera que o Iraque terá de provar que não tem mais armas proibidas e que não tentou desenvolver essas armas desde a saída, há quatro anos, dos inspetores da antiga Unscom.
A equipe pretende iniciar hoje as inspeções que marcarão a retomada de um processo interrompido por quatro anos.
O chefe dos inspetores de armas, Hans Blix, disse que o Iraque precisa apresentar evidências convincentes de que não possui armas de destruição em massa, durante uma reunião a portas fechadas com o Conselho de Segurança, na qual prestou contas sobre sua recente visita de dois dias a Bagdá.
Segundo informações vazadas aos jornalistas, Blix disse ao Conselho que ''o mais importante'' é que o Iraque apresente uma declaração completa sobre seu programa de armas nucleares, biológicas e químicas, como foi exigido pela resolução.
A resolução impõe o prazo de 8 de dezembro para a entrega do informe.
O secretário geral da ONU, Kofi Annan, pediu ao Iraque que ''coopere plenamente com os inspetores e respeite seus compromissos sem reservas''. ''É a única forma de evitar um conflito militar na região'', advertiu Annan em Paris durante sua entrevista conjunta à imprensa com o presidente francês Jacques Chirac. ''Esperamos a plena cooperação do Governo iraquiano'', completou.
Apelo iraquiano O jornal governamental iraquiano Al-Jumhuriya pedia às Nações Unidas que levem em conta as lições da missão anterior para que os erros não sejam repetidos. A imprensa oficial de Bagdá, no entanto, não mencionou a chegada, na véspera, dos especialistas da ONU.
O diretor da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), Mohamed El Baradei, assegurou ontem, no Cairo, que a nova missão de inspeção no Iraque não repetirá os erros da Unscom, em declarações ao jornal egípico Al-Ahram um dia antes de seus colegas iniciarem suas inspeções. ''O Conselho de Segurança da ONU dissolveu a Unscom (Comissão Especial das Nações Unidas) e criou a Cocovinu (Comissão de Controle, Verificação e Inspeção da ONU) para evitar abusos. Seus membros são funcionários da ONU e a eles foi pedido que sejam objetivos e neutros'', declarou El Baradei.

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