Bagdá Os especialistas da Organização das Nações Unidas (ONU) encarregados de verificar se o Iraque tem ou não armas de destruição em massa iniciaram, ontem, o segundo mês de inspeções, tendo como pano de fundo a intensificação dos preparativos da guerra, com a fase final da mobilização militar norte-americana na região.
O secretário norte-americano de Defesa, Donald Rumsfeld, ordenou uma mobilização ''significativa'' de tropas terrestres, de aviões de combate e de apoio logístico no Golfo, dando início à fase final dos preparativos para uma eventual guerra contra o Iraque, afirmou ontem o jornal Washington Post.
Segundo a publicação, citando altos funcionários da defesa, o documento secreto de mais de vinte páginas, assinado na terça-feira passada, enumera a mobilização de forças, que inclui unidades de infantaria mecanizada, de abastecimento para operações aéreas e de instalações hospitalares que chegarão ao Kuwait, Qatar, Bahrein e outros três países do Golfo nas próximas semanas.
De acordo com o jornal, há atualmente cerca de 60.000 homens na região e 400 aviões estacionados na Turquia, Kuwait, Qatar, Arábia Saudita, Omã e Bahrein. A mobilização do dispositivo deverá permitir ''facilitar o processo diplomático e reduzir os lapsos entre uma decisão presidencial e o início das operações'', declarou outra fonte ao jornal.
Em Bagdá, quatro equipes da Comissão de Vigilância, Verificação e Inspeção da ONU procederam às inspeções de instalações da capital, no dia seguinte ao interrogatório de um cientista iraquiano.
Uma das equipes partiu ontem do quartel general dos inspetores, um ex-hotel em Bagdá, com direção a um centro industrial em Ibn Yunes, 10 km ao sul da capital. Outra foi inspecionar uma fábrica de explosivos em Al Qaa Qaa, perto da capital, local já visitado pelo menos em duas ocasiões pelos inspetores.
Uma terceira equipe se dividiu em duas para inspecionar instalações no sul da capital, a companhia Al Kindi en Abu Gharib y la empresa Yafa en Al Zafaraniya. Uma quarta equipe foi visitar a fábrica Al Najah, em Bagdá.
Depois do segundo interrogatório do cientista iraquiano, Hiro Ueki, porta-voz dos especialistas da Agência Internacional de Energia Atômica (Aiea), anunciou que um especialista em metais ''de uma firma estatal muito conhecida'' foi interrogado e ''proporcionou detalhes técnicos sobre um programa militar''.
O dr. Kadhum Khameel, depois de ser interrogado pelos especialistas da ONU, desmentiu, através da televisão local, estar vinculado a um programa nuclear iraquiano e negou que suas atividades de especialista em metais tenham beneficiado de algum modo um programa de pesquisa nuclear.
Khameel indicou que foi interrogado sobre suas atividades relacionadas com o armazenamento de tubos de alumínio da fábrica Zu Al Fikar, da empresa Al Rachid, mas negou que estes possam ser utilizados em atividades nucleares, como afirma um informe publicado recentemente pelo governo britânico. Segundo o cientistas, estes tubos são usados apenas para construir lança-foguetes multitubos, uma arma clássica e que não é proibida.

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