Ciente dos anseios dos eleitores, União Democrata Cristã, da chanceler Angela Merkel, tem se mostrado mais simpática a posições de direita
Ciente dos anseios dos eleitores, União Democrata Cristã, da chanceler Angela Merkel, tem se mostrado mais simpática a posições de direita | Foto: Odd Andersen/AFP



Madri, Espanha - Quando forem às urnas, em 24 de setembro, alemães buscarão soluções a uma de suas principais crises: a sensação de insegurança. Desde o atentado de 19 de dezembro, em que 12 pessoas foram mortas em Berlim, o país discute como proteger-se e, ao mesmo tempo, repensar sua política em relação aos refugiados e às liberdades individuais. Diversas ações policiais foram realizadas no período, como a operação que deteve 16 pessoas nesta quarta-feira (1º), em buscas em mais de 54 residências, lojas e mesquitas. Um dia antes, as forças de segurança haviam detido três pessoas na capital, Berlim, em uma mesquita com vínculos com o autor do atentado de dezembro, o migrante tunisiano Anis Amri.

"As políticas de segurança terão um papel maior do que nas últimas eleições", afirmou Markus Kaim, analista do SWP (Instituto Alemão para Assuntos Internacionais e de Segurança). Será o primeiro voto depois de uma série de eventos fundamentais à estabilidade alemã, como a crise civil ucraniana, a consolidação da milícia radical Estado Islâmico, a eleição de Donald Trump nos EUA e o Brexit, a decisão britânica de deixar a União Europeia. O momento é fundamental também, segundo Kaim, porque exigirá demonstrações de sua capacidade de liderança. O Reino Unido vai sair do bloco econômico e a França vive um declínio econômico. "A pergunta é: que papel líderes alemães podem ter?", provocou.

RESTRIÇÃO
O contexto deve beneficiar os partidos populistas, em especial os de direita. A radical AfD (Alternativa para a Alemanha) será um deles. Ciente dos anseios de seus eleitores, o próprio CDU (União Democrata Cristã), da chanceler Angela Merkel, tem se movido à direita. A entrada de refugiados, por exemplo, foi reduzida bruscamente. O governo anunciou recentemente a chegada de 280 mil pessoas buscando asilo em 2016, contra as quase 900 mil registradas no ano anterior. "Todos os partidos da coalizão do governo oferecem respostas similares à questão da segurança", destacou a parlamentar Ulla Jelpke, da sigla A Esquerda. "Disputam para ver quem pede por leis mais restritas, detenções mais longas e deportações mais fáceis de refugiados."

Ulla Jelpke afirma que o atentado a Berlim, em dezembro, servirá de justificativa para o aperto da segurança interna, incluindo um maior controle da população. A vigilância do espaço público por câmeras será incrementada e há propostas para monitorar suspeitos com tornozeleiras. "Alemães são tradicionalmente receosos quanto a essas medidas de vigilância", afirmou Constanze Stelzenmüller, analista do Brookings Institution. "Mas minha impressão é que estão se tornando mais abertos."

mockup