Insegurança motivou o voto
Para muitos israelenses, a força motriz por trás da escolha foi um senso de insegurança provocado por meses de lutas. Apesar de a vasta maioria das quase 400 pessoas mortas ser de palestinos, os israelenses foram fortemente abalados pelos atentados à bomba, disparos contra motoristas, sequestros e emboscadas que são cada vez mais frequentes.
E muitos israelenses não aceitaram o fato de a explosão de violência ter ocorrido enquanto eram oferecidas aos palestinos as maiores concessões já apresentadas por um líder israelense: um Estado em 95% da Cisjordânia e vitualmente toda a Faixa de Gaza, e o controle de bairros árabes em Jerusalém, que os dois lados reivindicam como sua capital.
No curso da curta campanha, o primeiro-ministro não cansou de advertir que Sharon jogaria Israel numa guerra total contra os palestinos, ou mesmo provocaria um confronto regional. Mas Sharon retrucou dizendo que a calma tem de ser restaurada antes que qualquer diálogo significativo possa ocorrer, e que as concessões oferecidas por Barak sobre territórios e Jerusalém haviam ido longe demais.
Para aqueles que querem segurança para os cidadãos de Israel, eu vou trazê-la, disse Sharon a partidários, ontem, na cidade nortista de Kiryat Shemona, na fronteira com o Líbano.
Pela primeira vez na história de Israel, os eleitores estavam escolhendo apenas o primeiro-ministro, e não o parlamento. Já que nenhuma cadeira parlamentar estava em jogo. O vencedor da votação vai herdar o mesmo profundamente dividido Knesset, ou Parlamento.
Muitos analistas acreditam que Sharon terá a mesma dificuldade em formar um governo estável que teve Barak e que seu mandato pode ser ainda mais curto.
Sharon tem dito e repetiu ontem que quer formar uma coalizão de amplas bases que envolveria o Partido Trabalhista, de Barak.
Oficialmente, a Autoridade Palestina, de Yasser Arafat, anunciou estar disposta a trabalhar com qualquer primeiro-ministro de Israel. Entretanto, o negociador palestino Saeb Erekat advertiu que o programa linha-dura de Sharon para as conversações de paz é uma receita para a guerra.





