Insatisfação com novo rei do Nepal
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terça-feira, 05 de junho de 2001
Associated Press De Katmandu 
A polícia do Nepal agiu ontem para evitar novas manifestações contra o novo rei Gyanendra, impondo mais um toque de recolher à tarde e advertindo a população, irada com a falta de explicação para o massacre ocorrido na família real, que qualquer um que saísse às ruas seria baleado.
Uma investigação sobre os disparos que mataram 10 integrantes da família real nepalesa, entre eles o rei e a rainha, não pôde ser iniciada ontem porque membros do painel não chegaram a um acordo sobre procedimentos um atraso que pode fazer aumentar a tensão.
Cerca de duas dúzias de pessoas, com suas cabeças raspadas na tradicional mostra de respeito hindu à morte, foram presas enquanto promoviam uma passeata em direção ao palácio real, exigindo esclarecimentos sobre a tragédia que se abateu sobre a nação. Não foram noticiados confrontos ontem, e o novo toque de recolher (imposto apenas seis horas depois que o anterior havia sido suspenso), durou até a meia-noite, deixando as ruas vazias.
Os nepaleses que se aventuraram às ruas em suas seis horas de liberdade reservaram duras críticas a Gyanendra, que assumiu o trono na segunda-feira depois do banho de sangue, supostamente cometido pelo príncipe herdeiro Dipendra, que quase eliminou a família real na sexta-feira. Muitos disseram que Gyanendra perdeu a credibilidade ao atribuir o massacre a disparos acidentais de uma arma automática.
Gyanendra sugeriu que o comunicado que ele emitiu no domingo quando era o rei em exercício sobre os disparos acidentais de uma arma automática era incorreto, e foi emitido devido a obstáculos legais e constitucionais.
Uma comissão liderada pelo chefe da Suprema Corte de Justiça, Keshav Prasad Upadhaya, e que inclui o presidente do parlamento, Taranath Ranabhat, e o líder da oposição comunista, Madhav Kumar Nepal, deveria começar ontem uma investigação de três dias das mortes.
Mas os trabalhos não foram iniciados como previsto porque o líder opositor recusou-se a participar da investigação. Ele acredita que Gyanendra não seguiu os procedimentos constitucionais de conseguir o consentimento do gabinete para a investigação. O chefe de Justiça reuniu-se em sua casa com legisladores e especialistas constitucionais para tentar encontrar uma solução para o impasse.


