Início de acordo afasta risco de ataque
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terça-feira, 23 de fevereiro de 1999
Reali Júnior Agência Estado 
Após duas semanas de negociações intensas e complexas, a Conferência de Rambouillet (perto de Paris) encerrou ontem seus trabalhos sem ter alcançado plenamente seus objetivos: aprovação de um plano de paz para Kosovo. Mesmo obtendo consenso sobre a proposta política do plano apresentado pelo Grupo de Contato (ampla autonomia para a província), as partes, sérvios e albaneses étnicos, deixaram a capital francesa sem assinar, como era esperado, um acordo global. Isso apesar das ameaças da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) de bombardear objetivos militares na Iugoslávia (Sérvia e Montenegro) e das pressões da diplomacia ocidental, particularmente dos EUA, França e Grã- Bretanha.
Uma nova conferência foi convocada para 15 de março na capital francesa, quando se espera que as partes possam chegar a um completo entendimento. Essa solução afasta, temporariamente, a ameaça de ataques aéreos.
Os sérvios continuam rejeitando a presença de forças terrestres da Otan em seu território, a não ser que os albaneses étnicos (maioria esmagadora da população) desistam de reivindicar a independência do Kosovo - o que não ocorreu durante o encontro. Os kosovares insistem na convocação de um referendo sobre a independência depois de três anos de autonomia. Essa reivindicação foi rejeitada pelo Grupo de Contato, pois contribuiria, segundo o chanceler francês, Hubert Védrine, para desequilibrar os Bálcãs, podendo estimular outros nacionalismos regionais. O grupo guerrilheiro anti-sérvio Exército de Libertação de Kosovo (ELK) também não aceita ser desarmado, como prevê o projeto de acordo.
Dessa forma, o Grupo de Contato só obteve um acordo mínimo de princípios, evitando a ruptura das negociações e deixando a solução dos aspectos fundamentais para a nova conferência, segundo anunciaram conjuntamente os dois presidentes da Conferência de Rambouillet, os chanceleres Védrine e Robin Cook (Grã Bretanha), apoiados pela secretária de Estado americana, Madeleine Albright. Os três procuraram justificar a saída encontrada após os parcos resultados alcançados.
O acordo de princípios foi apenas verbal e sobre alguns pontos do projeto. As duas partes não assinaram nenhum documento e enviaram ao Grupo de Contato duas cartas diferentes, comentando e interpretando o texto de base divulgado. Ao apresentar a conclusão do encontro, Védrine disse que os progressos dos últimos 15 dias foram muito mais importantes do que os obtidos nos últimos 15 anos em Kosovo. Ele cita o princípio de uma autonomia substancial para Kosovo aceito por Belgrado.


