Ingleses se revoltam contra paparazzi
PUBLICAÇÃO
domingo, 31 de agosto de 1997
Londres 
A raiva provocada pela morte da princesa Diana gerou ontem na Grã-Bretanha protestos a favor de medidas mais vigorosas para proteger as celebridades do assédio da imprensa.
O conde Charles Spencer, irmão de Diana, disse que a imprensa tinha sangue em suas mãos pela morte da princesa de Gales.
Sempre acreditei que, no final, a imprensa a mataria, disse o irmão de Diana.
Diana e seu namorado, o milionário produtor de cinema Dodi Fayed, morreram em Paris na madrugada de ontem quando o veículo em que viajavam era perseguido por fotógrafos paparazzi em uma motocicleta. O motorista do veículo também morreu.
Alguns ministros do governo trabalhista britânico manifestaram suas preocupações pelo aparente papel dos paparazzi no acidente fatal.
A longo prazo, será necessário questionar se a agressividade da intromissão da imprensa em sua vida privada contribuiu para essa tragédia, disse o secretário britânico para Assuntos Exteriores, Robin Cook, aos jornalistas, durante uma visita a Manila.
O secretário de Cultura, Chris Smith, disse à televisão britânica que era muito cedo para falar de possíveis limites à imprensa.
France PresseRevoltaConde Charles Spencer, irmão da princesa Diana: A imprensa tinha sangue em suas mãos
Mas Smith acrescentou: Temos muito o que fazer durante os próximos dias e semanas para avaliar como aconteceu essa tragédia.
Contudo, os legisladores britânicos observam que o acidente ocorreu na França que, ironicamente, é um dos países com algumas das leis de respeito à vida privada mais drásticas do mundo.
Na Grã-Bretanha, não há controle estatal da imprensa e tanto editores como jornalistas estão sujeitos à lei da mesma forma que o cidadão comum.
Mas os meios de comunicação poderão deparar-se com limites em suas atividades nos próximos dois anos, com a introdução pela primeira vez nas leis britânicas de um estatuto que protege o direito à intimidade.
Tal mudança será resultado de uma promulgação britânica de determinações da União Européia sobre o uso de informação pessoal.
Lord Irvine, ministro a cargo dos assuntos judiciais no gabinete, sugeriu que o parlamento redija uma lei relativa à proteção da vida privada antes de deixar aos juízes sua interpretação em casos individuais.
Os críticos da imprensa têm pedido, há muito tempo, que sejam promulgadas legislações específicas para vigiar a conduta dos jornais sensacionalistas que se deliciam com os detalhes mais íntimos das vidas dos ricos e famosos.
Os jornais e revistas responderam em 1991 a esse movimento com o estabelecimento da Comissão sobre Queixas contra a Imprensa, a fim de manter o controle internamente.


