Ingleses liberam clonagem de embriões
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quarta-feira, 11 de agosto de 2004
France Presse 
Londres - Cientistas do Stem Cell Group, do Instituto de Genética Humana da Universidade de Newcastle, receberam nesta quarta-feira sinal verde da autoridade de controle da bioética britânica (HFEA) para clonar embriões com fins terapêuticos, decisão inédita na Europa.
Apesar da clonagem terapêutica ser legal na Grã-Bretanha desde 2002, esta é a primeira vez que um pedido foi apresentado à HFEA. A entidade havia anunciado em junho que estava examinando uma solicitação do grupo dirigido pelo médico Miodrag Stojkovic,
A pesquisa em questão visa utilizar embriões na pesquisa de uma cura para a diabetes. ''O objetivo é verificar se as células-tronco obtidas a partir um embrião humano podem se transformar em células capazes de produzir insulina. Células que permitiriam curar pessoas com diabetes'', explicou Stojkovic.
O assunto causou rachas no meio científico britânico. ''É um desperdício de dinheiro público e ultrapassa os limites da ética pela primeira vez'', afirmou o médico David King, biólogo molecular e diretor do grupo anticlonagem Human Genetics Alert. Este pesquisador e mais cinco cientistas enviaram uma carta ao HFEA para que embargasse a pesquisa.
O presidente da autoridade, Suzi Leather, tentou acalmar os ânimos nesta quarta-feira, afirmando que a autorização para a universidade de Newcastle é válida por apenas um ano e foi tomada depois do exame aprofundado dos aspectos científicos, éticos, legais e medicinais do relatório. A clonagem reprodutiva, por sua vez, continua proibida e pode acarretar dez anos de prisão.
A pesquisa autorizada usará embriões não desenvolvidos, especificamente suas células-tronco, que tem a característica especial de tomar o formato de qualquer tecido do corpo: músculos, ossos, nervos ou órgãos. ''Isto exigiu um ano de trabalho e nós estamos muito felizes que a HFEA tenha reconhecido o potencial desta tecnologia para a medicina moderna'', comemorou o coordenador do estudo.
A pesquisadora Alison Murdoch, do Centro de Fertilidade de Newcastle, co-diretora da pesquisa com Stojkovic, lembrou que os resultados concretos na luta contra as doenças não são para amanhã. De acordo com a cientista, serão necessários ainda cinco anos antes de realizar os primeiros testes com seres humanos.
No Vaticano, o Papa João Paulo II condenou a decisão britânica. ''O Papa sempre condenou sem equívocos a clonagem de embriões humanos'', afirmou o porta-voz Joaquim Navarro Valls, precisando que o Vaticano deve se pronunciar mais tarde sobre o assunto, quando conhecer a documentação oficial.


