Ingleses discutem indenização com família de Jean
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segunda-feira, 01 de agosto de 2005
Das agências 
Rio de Janeiro - O embaixador da Grã-Bretanha no Brasil, Peter Collecott, e o subchefe da Scotland Yard (a polícia londrina), John Yates, foram ontem até a cidade de Gonzaga, no sudoeste de Minas Gerais, pedir desculpas pessoal e oficialmente à família de Jean Charles de Menezes, assassinado no último dia 22, na capital inglesa, por policiais que o confundiram com um terrorista.
Collecott e Yates que vieram, respectivamente, de Brasília e Londres, especialmente para o encontro se solidarizaram com o sofrimento dos parentes e conversaram sobre a indenização que será paga pela polícia londrina, mas não falaram sobre valores ou datas do pagamento.
Os pais de Jean, seu Matozinho e dona Maria, o irmão, Giovani, e um dos primos, Alex, que morava com ele em Londres, se reuniram com a delegação na prefeitura de Gonzaga por cerca de uma hora, com o auxílio de um intérprete. Segundo testemunhas que acompanharam o encontro, os ingleses disseram que compreendem a dor dos familiares. Lembraram que o país vive uma situação difícil, por conta dos últimos ataques terroristas, e trataram o caso como ''uma tragédia''. No entanto, não admitiram que cometeram um erro grave ao executar o rapaz com oito tiros. Eles discutiram também o pagamento da indenização, sem mencionar cifras.
Na saída da reunião, Collecott considerou o contato amistoso e se disse emocionado com a reação dos parentes de Jean aos acontecimentos. Eles não deram entrevista.
A família vive na região rural de Gonzaga, a 15 quilômetros do centro do município. O pai é agricultor e a mãe, dona-de-casa. O irmão é administrador e mora em Campos de Jordão, na Serra da Mantiqueira (SP). Vivendo na Grã-Bretanha havia mais de três anos, Jean ajudava a família enviando parte do dinheiro ganho com seu trabalho de eletricista. Atualmente, estava contratado por uma empreiteira.
Jornais britânicos especulam que o valor da indenização giraria entre US$ 1 milhão e US$ 2 milhões (cerca de R$ 4,6 milhões). O cálculo seria feito multiplicando-se os anos de vida que Jean ainda poderia ter ele morreu aos 27 anos pelo salário que ganhava.
Por outro lado, em Londres, a polícia britânica foi colocada em estado de alerta ontem para evitar novos atos terroristas, enquanto procurava os cúmplices e mentores dos atentados de julho. A Scotland Yard considera outras pessoas envolvidas nos atentados de Londres, após a prisão de quatro supostos terroristas que agiram no dia 21 de julho, mas se negou a admitir a existência de uma terceira célula de terroristas.
Esta tese foi levantada pela revista Times na edição de ontem: segundo fontes dos serviços de informação, uma terceira célula seria formada por britânicos de origem paquistanesa, assim como os autores dos atentados de 7 de julho, que deixaram 56 mortos e 700 feridos. ''Não podemos garantir que haverá um terceiro ataque, mas nunca falamos de uma terceira célula'', declarou ontem uma porta-voz da Scotland Yard, que classificou a informação da Times de ''especulação da imprensa''.


