Ansa
O anúncio do descobrimento de uma ‘‘câmara de torturas’’ em uma delegacia de Pristina aumentou ontem a dramaticidade sobre as atrocidades atribuídas aos sérvios em Kosovo, mas um porta-voz da KFOR pediu ‘‘cautela’’ porque ‘‘faltam informações precisas’’.
A ‘‘câmara de torturas’’, onde os prisioneiros de Kosovo eram supostamente interrogados, foi descoberta - segundo o contingente britânico da KFOR - por soldados que vasculharam a delegacia de polícia sérvia no centro de Pristina, capital de Kosovo.
Segundo o informe, em um amplo aposento de um edifício de cinco pisos foram encontrados tacos de beisebol com frases sérvias, facas, socos-ingleses, uma bateria para descargas elétricas, uma grande cela, preservativos e publicações pornográficas. No chão, foram encontrados documentos de identidade queimados e algumas fotografias de jovens, incluindo a de um garoto de 12 anos. Em outro aposento, havia uma mesa de madeira com cordas e barras de ferro na extremidade.
‘‘Por enquanto, é necessário ser extremamente prudente’’ sobre a descoberta de locais onde supostamente foram cometidas chacinas por parte dos sérvios, disse o porta-voz do comando da Otan na KFOR, Robin Clifford.
‘‘Corresponde às organizações encarregadas pela comunidade internacional estabelecer os atos’’, acrescentou Clifford, segundo quem as descobertas desses locais devem ser objeto de ‘‘informes’’ precisos já que ‘‘não temos detalhes’’.
Enquanto prossegue a retirada das forças iugoslavas da região
os militares franceses da KFOR disseram ter encontrado ‘‘diversas valas comuns’’, enquanto Londres acusa os sérvios de matar pelo menos 10 mil civis.
O general Xavier Delcourt anunciou que os soldados franceses descobriram ‘‘grandes valas comuns’’ na região, que até agora são ‘‘supostas’’, já que ainda não há confirmação da identidade dos corpos.
‘‘Segundo as informações que obtivemos, principalmente da parte dos refugiados, parece que cerca de 10 mil pessoas foram assassinadas em mais de 100 chacinas. O total das vítimas pode ser muito maior’’, disse o subsecretário de Defesa britânico, Geoff Hoon.
‘‘Alguns dos detalhes que emergiram de Kosovo nos últimos três meses ultrapassam o limite da imaginação. Agora parece que não são apenas verdadeiros, mas que até agora realizou-se uma estimativa muito conservadora das atrocidades cometidas na região’’, acrescentou.
‘‘Às vezes é difícil acreditar que hoje em dia seres humanos sejam capazes de matar grupos de crianças com metralhadoras, estuprar jovens e cavar valas comuns, queimar os corpos e esconder as provas do genocídio’’, declarou Hoon.
Uma dessas chacinas foi feita por um mesmo policial sérvio, segundo versão publicada ontem pelo ‘‘Daily Telegraph’’. Em 17 de março, uma semana antes do início da guerra, este policial matou 54 albaneses reunidos em uma casa no pequeno povoado de Poklek, perto de Pristina, segundo declarações de sobreviventes publicadas pelo jornal britânico. Especialistas do Tribunal Penal de Haia para a ex-Iugoslávia entrarão hoje em Kosovo.Centro para tortura de jovens e até crianças albanesas teria funcionado em uma delegacia em Pristina. O KFOR pede cautela e ‘informações precisas’
France PresseCrime hediondoIngleses vasculharam aposentos com tacos de beisebol com frases sérvias, facas, socos-ingleses, uma bateria para descargas elétricas, uma grande cela e material pornográfico. Também foram encontrados documentos de identidade queimados e fotografia de jovens, incluindo a de um garoto de 12 anos

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