A Grã-Bretanha redigiu no Conselho de Segurança um esboço de resolução que ameaça o Iraque com ‘‘as mais severas consequências’’ se o país não cumprir o acordo firmado com o secretário-geral da ONU, Kofi Annan (ilustração), para a inspeção de palácios suspeitos de esconder armas proibidas. Enquanto isso, a organização e o próprio governo dos EUA lançavam ontem em Nova York uma ofensiva para rebater críticas do Congresso americano ao pacto.
O embaixador britânico na ONU, John Weston, disse que há consenso geral sobre os principais pontos do esboço e estimou que a resolução será aprovada. Entretanto, embora o texto não contenha uma ameaça explícita de ataque, ele faz referência à Resolução 678 (de novembro de 1990), que autorizou o uso da força para obrigar o Iraque a desocupar o Kuwait.
A França, Rússia e China são contra essa referência, temendo que ela possa ser usada para justificar uma ação militar ‘‘automática’’ contra Bagdá caso haja restrições para a inspeção dos palácios. O esboço reitera a intenção do Conselho de Segurança de estudar o levantamento do embargo econômico imposto em 1990 quando concluir que o Iraque eliminou todas as suas armas de destruição em massa.
Procurando dar a Bagdá uma luz no fim do túnel das sanções, Richard Butler, chefe da Comissão Especial da ONU (Unscom), encarregada de supervisionar o desarmamento iraquiano, disse ontem que suas equipes podem completar em mais ou menos um ano a vistoria das instalações suspeitas e verificar, então, se foram destruídos os arsenais proibidos.
O acordo prevê que as equipes da Unscom, acompanhadas por diplomatas escolhidos por Annan (como queria Bagdá), vistoriem sem restrições os palácios do presidente iraquiano, Saddam Hussein. O grupo de diplomatas será comandado pelo subsecretário-geral da ONU para Desarmamento, o cingalês Jayantha Dhanapala.
Butler garantiu que a incorporação desse grupo às inspeções não enfraquece o papel da Unscom e saudou o acordo obtido por Annan, que evitou um ataque liderado pelos EUA contra o Iraque. Annan também defendeu o acordo. Numa extraordinária mensagem ao staff da ONU, Annan disse a eles para não ficarem desanimados pelas críticas ao acordo, afirmando que é o Conselho de Segurança ‘‘e não alguns poucos críticos que terá a palavra final’’.

mockup