Londres- Depois de exportar o modelo privatizante da primeira-ministra Margaret Thatcher, nos anos 80, a Grã-Bretanha virou agora a meca dos PPP, os projetos de parcerias público-privadas. Desde que a primeira legislação de PPP foi introduzida, em 1992 (o sistema demorou vários anos para deslanchar), o setor público do país já assinou 617 projetos de PPP, com 450 em operação. No total, são contratos de 55 bilhões de libras (US$ 100 bilhões), que se estenderão por 25 a 30 anos.
No esquema típico de PPP britânico, o setor público licita um contrato no qual o vencedor constrói, administra e cuida da manutenção do equipamento público (hospitais, escolas, prisões, estradas, etc.) por 25 ou 30 anos. Na forma mais usual, o governo paga mensalmente pela disponibilidade do serviço (quase todas as estradas britânicas construídas em esquemas de PPP não têm pedágio), mas só a partir do momento em que o equipamento público estiver pronto.
No Brasil, o governo de Luiz Inácio Lula da Silva quer usar as PPP para viabilizar a retomada de investimentos públicos (ver matéria ao lado), como ocorreu na Grã Bretanha, segundo Stephen Harris, chefe da área internacional do International Financial Services, London (IFSL), e especialista em PPP. Segundo Harris, nos sete anos anteriores a 1997, quando as PPP de fato decolaram na Grã-Bretanha, apenas dois hospitais públicos foram construídos no país. Nos sete anos depois de 1997, foram construídos 48 novos hospitais. ''Não precisa arrumar 200 milhões de libras para construir um hospital, você paga o serviço à medida que o consome'', ele explica.
''A Grã-Bretanha já fez mais PPP do que todo o resto do mundo'', diz Harris. A IFSL, onde trabalha, é uma organização privada que há 30 anos promove a exportação dos serviços financeiros britânicos. O foco agora é ''exportar'' tecnologia de PPP. ''Nós temos 99% dos especialistas'', afirma Harris, referindo-se à Grã-Bretanha.
Segundo Harris, a IFSL está no momento conversando com 40 países sobre a implementação das PPP, e há outros 35 interessados. ''Tudo o que vimos do Brasil até agora é bom; são pessoas sensatas, com planos sensatos, conduzidos de forma sensata'', diz Harris. Apesar dos elogios, as PPP no Brasil ainda estão emperradas na etapa inicial de criação do marco legal.
Algumas das principais vantagens das PPP, segundo Harris, são dar previsibilidade ao orçamento público, diluir ao longo de muitos anos os investimentos, melhorar os serviços e reduzir fortemente os atrasos nas obras ou estouro nos seus custos. Desde que o sistema foi introduzido na Grã-Bretanha, ele diz, as obras públicas com atraso de entrega ou estouro de orçamento caíram de 75% do total para 25%. Outra vantagem da PPP, ele diz, é que, sabendo que os problemas de construção cairão nas suas costas, as empresas contratadas evitam o tipo de economia forçada que acaba provocando gastos muito maiores em manutenção.

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