Inglaterra admite ter levado armas atômicas para as Malvinas
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sábado, 06 de dezembro de 2003
France Presse 
Argentina A Argentina advertiu nesta sexta-feira sobre um perigo radioativo no Atlântico Sul, após a Grã-Bretanha ter admitido pela primeira vez que, em 1982, transportou armas atômicas para esta área, com o objetivo de usá-las na guerra das Malvinas, em cujas águas naufragou o poderoso destróier ''Sheffield''.
O ministro da Defesa, José Pampuro, antecipou nesta sexta-feira que Buenos Aires solicitará relatórios a Londres para averiguar a gravidade do caso, diante da possibilidade de que tenha havido perda de material radioativo no Atlântico Sul, o que representaria ''um perigo para o país''.
Em declarações à rádio Continental, Pampuro admitiu que o Governo de Néstor Kirchner recebeu, por meio de um relatório oficial de Londres, a informação sobre navios britânicos que carregavam armamento nuclear a bordo.
''Pela primeira vez'', o Reino Unido ''reconhece uma questão que, embora se suspeitasse disso, nunca tinha sido oficialmente admitida'', afirmou o ministro. Em declarações à rádio América, o ministro comentou que ''há duas ou três embarcações que ficaram no fundo do oceano'' e frisou que ''é necessário ver se existe algum rastro destas coisas que hoje se conhece publicamente no Reino Unido''.
Segundo ele, as investigações da imprensa britânica ressaltaram que o navio ''Sheffield'', afundado em 4 de maio de 1982 pela aviação argentina, carregava armas nucleares. A embarcação ainda se encontra nas profundezas do Atlântico sul.
O relatório oficial apontou que ''em nenhum momento se cogitou que as armas nucleares pudessem ser usadas no conflito'', que deixou 648 mortos argentinos e 255 britânicos. Além disso, parte dos contêineres com os arsenais sofreu danos, embora o armamento atômico não tenha sido atingido.
Em 1982, Argentina e Grã-Bretanha entraram em guerra pela posse das ilhas do Atlântico sul, que terminou em 14 de junho com a rendição das tropas da nação sul-americana após 74 dias de conflito.


