Ingênua ou manipuladora? O enigma da ex-estagiária
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 06 de agosto de 1998
Patrizio Nissirio Ansa 
Um enigma atormenta há seis meses a imprensa americana: Quem é realmente Mônica Lewinsky? Uma moça ingênua que acabou se metendo em uma história maior do que ela ou uma astuta manipuladora à procura de vingança pessoal e publicidade?
Ao mesmo tempo em que a jovem relata seus supostos contatos com o presidente Bill Clinton, os questionadores de sua personalidade seguem sem resposta. Aos 25 anos, Lewinsky poderia ter gozado de seu emprego na empresa Revlon, em Nova York, e de uma vida normal.
Ao contrário - segundo as afirmações que fez a sua amiga Linda Tripp, que gravou essas conversações -, agora deve viver entrincheirada, passando o tempo todo trancada. As únicas pessoas a quem visita são os seus advogados.
O que passou por sua cabeça quando decidiu correr o risco de falar publicamente da suposta relação sexual?
Para alguns, tratou-se de simples ingenuidade, para outros é um sinal de uma mente perturbada. Segundo esses últimos, a prova é o vestido manchado. Quem guardaria semelhante souvenir de um encontro amoroso?
Mas outros rebatem dizendo que se trata de uma romântica incurável, uma moça que, como já fizeram muitas outras, quis compartilhar com uma amiga os tormentos sentimentais de uma relação impossível. Mas essa hipótese parte do princípio de que a relação realmente existiu, algo que até hoje Clinton nega veementemente.
Para quem sustenta a versão que descreve Lewinsky como uma astuta empresária de si mesma, outra prova são as muito bem pagas fotografias tiradas para a revista Vanity Fair. Nelas, Mônica se mostra de forma vampiresca, com os lábios vermelhos entre plumas e estendida na grama com a bandeira dos Estados Unidos. Foi somente o desejo de uma moça de expressar sua libido, aprisionada por toda esta história, como explicou na época seu advogado William Ginsburg?


