Um tribunal de Nova York e duas comissões do Congresso abriram investigação sobre os 176 indultos concedidos pelo ex-presidente Bill Clinton, poucas horas antes de ele deixar a presidência, em 20 de janeiro. Ex-assessores diretos de Clinton foram ouvidos, ontem, por um Comitê da Câmara dos Representantes a respeito, principalmente, do indulto mais polêmico, que foi o concedido ao financista Marc Rich, condenado por evasão de divisas e outras fraudes fiscais, há 17 anos. Ontem, Rich recusou-se a depor em uma dessas comissões parlamentares que investigam o caso.
Por outro lado, o jornal The New York Times revelou, na edição de ontem, que mais um irmão da ex-primeira-dama dos Estados Unidos e atual senadora pelo Estado de Nova York, Hillary Clinton, obteve um indulto presidencial para um casal amigo condenado por fraude no Tennessee. Tony Rodham, o irmão de Hillary, admitiu ao diário ter pedido clemência para Edgar e Vonna Gregory, proprietários de uma rede de parques de diversões para a qual ele havia trabalhado como consultor, anos antes. Rodham esclareceu, porém, que não obteve nenhum benefício econômico pela intervenção.
Clinton concedeu o perdão ao casal apesar das objeções do Departamento de Justiça, indica o jornal. Os Gregory, proprietários da United Shows of America, uma companhia de entretenimento com sede em Smyrna, Tennessee, foram processados por uma fraude bancária em 1982, depois de emprestar dinheiro a amigos utilizando os ativos de um banco que lhes pertencia. Os advogados do Departamento de Justiça se opuseram firmemente ao perdão, por achar que os delitos do casal haviam sido graves.
Os Gregory foram grandes contribuintes das campanhas tanto democrata, quanto republicana, acrescentou o Times, e também contribuíram com a campanha de Hillary Clinton para o Senado pelo Estado de Nova York.
Outro irmão de Hillary, Hugh Rodham, reconheceu ter recebido US$ 400 mil (que depois devolveu) para obter dois perdões. Também Roger Clinton, meio-irmão do ex-presidente Bill Clinton, apresentou uma lista de perdão para seis pessoas, mas sua intervenção não teve um final muito feliz. Ele mesmo teve de ser perdoado em janeiro por causa de seus antecedentes penais, que incluem uma condenação por envolvimento com consumo de drogas.

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