Pelo menos mil pessoas protestaram contra os Estados Unidos ante o parlamento de Jacarta, ontem, na maior manifestação antinorte-americana realizada na capital do maior país muçulmano do mundo, a Indonésia, desde o começo dos ataques contra o Afeganistão.
A presidente Megawati Sukarnoputri, que manteve silêncio desde o começo dos ataques anglo-norte-americanos contra o Afeganistão, se vê diante de uma crescente pressão política.
O parlamento convocou o ministro de Relações Exteriores, Hassan Wirayuda, para que explique, amanhã, a posição do governo em relação aos Estados Unidos, considerada muito conciliadora.
Pelo menos mil pessoas, entre elas numerosas mulheres com seus véus, se concentraram ante o prédio do parlamento.
Os manifestantes desfilaram pelas ruas de Jacarta e em pelo menos outras duas cidades, no terceiro dia de manifestações contra os ataques dos Estados Unidos no Afeganistão.
Em Jacarta, cerca de 300 estudantes se reuniram ante a embaixada norte-americana, fortemente protegida pela polícia de choque, gritando palavras de ordem como ''Jihad'' (guerra santa) e ''Alá Akbar'' (Deus é supremo).
Os estudantes, que exigem o rompimento das relações diplomáticas com os Estados Unidos, se dirigiram até a sede do parlamento, tentando forçar as grades do local, sendo dispersados pela polícia, que utilizou gás lacrimogêneo.
Em Jogyacarta (centro da ilha de Java), cerca 500 estudantes se manifestaram e colocaram um ''lacre'' simbólico em uma lanchonete McDonald's e em uma pizzaria Hut.
Em Medan (ilha de Sumatra), cerca de 100 estudantes também se manifestaram.
Um grupo radical, a Frente dos Defensores do Islã (FDI), ameaçou atacar a embaixada e outros edifícios dos EUA e ''expulsar'' do país os norte-americanos e os cidadãos dos países aliados, exigindo que o governo de Jacarta rompa relações diplomáticas com Washington até o dia de hoje.

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