Cerca de 200 jovens, alguns que afirmam ter integrado as milícias pró-indonésia, fizeram uma manifestação ontem em frente ao escritório da Organização das Nações Unidas (ONU) em Jacarta, denunciando sua atuação no Timor Oeste.
Chamando de fraudulento o plebicisto organizado para saber se a população queria a independência do território, os manifestantes não se cansavam de gritar: ‘‘Destruam a ONU.’’
Eles responderam ao apelo de um organização chamada Aliança da Juventude pela Democracia (Alpad), que segundo alguns, pagou-lhes 50 mil roupies (5,8 dólares) para participar da manifestação.
O governo indonésio afirmou anteontem que se recusa a encontrar a missão do Conselho de Segurança da ONU que chega à Jacarta na semana que vem para investigar a morte de três membros do HCR, assassinados na última quarta-feira no Timor Ocidental.
O Conselho de Segurança, que decidiu despachar a missão na sexta-feira à noite, condenou veementemente o assassinato dos três funcionários da ONU e pediu a Jacarta para desarmar as milícias que ainda aterrorizam os campos de refugiados.
A polícia prendeu cinco suspeitos do assassinato de um líder miliciano do Timor Leste, fato que deu início a um tumulto que resultou na morte de três funcionários da ONU, disse ontem um oficial. O chefe da polícia nacional, general Rusdihardjo, disse que cinco efetivos paramilitares foram enviados hoje para reforçar a segurança no Timor Oeste.
Na última quarta-feira, um grupo de milicianos atacou um escritório do Alto Comissariado para Refugiados da ONU no Timor Oeste, na cidade fronteiriça de Atambua, matando três funcionários estrangeiros. A onda de violência, que provocou a fuga de cerca de 400 funcionários do território, foi iniciada pelo inexplicado assassinato do líder miliciano Olivio Mendosa Moruk.
Rusdihardjo, que conversou com jornalistas antes de participar de uma reunião especial de gabinete, disse que as forças de segurança já haviam detido cinco suspeitos do assassinato de Olivio e estão procurando outros cinco, que teriam participado do ataque ao escritório da ONU.
Essas milícias são as mesmas que, com o apoio de militares indonésios, promoveram destruição em Timor Leste depois que seus habitantes votaram pela independência do território em agosto de 1999. Esses milicianos foram para a parte oeste da ilha do Timor quando forças de paz internacionais tomaram o controle do leste.

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