As tropas indonésias mataram ontem 40 civis em um ataque contra uma igreja no Timor Leste, disparando armas e jogando granadas, informaram grupos pró-independência. A agência de notícias portuguesa Lusa informou que soldados indonésios invadiram a igreja em Liquisa, a 30 quilômetros da capital do distrito, Dili, onde mais de 2 mil homens, mulheres e crianças escondiam-se depois dos ataques de segunda-feira dos legalistas pró-Jacarta
Grupos pró-independência em Jacarta e Dili confirmaram à Reuters as últimas mortes, dizendo que o ataque ocorreu na tarde de ontem.
Militares não puderam ser contactados, mas um diplomata ocidental baseado em Jacarta afirmou que oficiais das Forças Armadas da Indonésia (ABRI) negaram a ocorrência de ataques ou mortes.
Um auxiliar do bispo do Timor Leste, Carlos Belo, laureado com o prêmio Nobel da Paz, informou que o bispo viajaria para Liquisa hoje para investigar os relatos do massacre.
Segundo o auxiliar, os relatos acusam as tropas locais e não os grupos paramilitares, de atirar nos timorenses.
A Lusa informou que o bispo Belo e o chefe militar do Timor Leste, Tono Suratman, haviam confirmado o incidente.
Um oficial do Conselho National da Resistência Timorense (CNRT) informou à Reuters que um sobrevivente do ataque em Dili dissera-lhe que ‘‘dezenas’’ de pessoas haviam morrido na igreja.
O sobrevivente afirmou que o ataque foi precedido pela invasão da casa do padre de Liquisa, na qual cinco civis morreram.
Grupos pró-independência alegam que milicianos pró-Jacarta apoiados pelas tropas indonésias mataram 17 pessoas quando abriram fogo contra civis segunda-feira em Liquisa. O ministro das Relações Exteriores da Indonésia, Ali Alatas, negou essa acusação e disse que Jacarta era vítima de desinformação.
O primeiro-ministro português, Antonio Guterres, considerou que o derramamento de sangue no Timor Leste sublinha a necessidade da presença das Nações Unidas no território para ajudar a criar condições para que os timorenses decidam entre a autonomia ou a independência através de um plebiscito monitorado pela ONU.
As tensões aumentaram no território desde janeiro, quando Jacarta disse que se os timorenses recusassem a proposta de autonomia extra, obteriam a independência.

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