Os indonésios vão às urnas hoje, nas primeiras eleições livres organizadas no país desde 1955, com a esperança de deixar para trás 30 anos de regime autoritário e uma crise econômica que levou o país à falência.
O êxito destas eleições legislativas, etapa essencial do processo que terminará antes do final do ano com as eleições para escolher um novo presidente, pode converter a Indonésia - como insiste o atual governo - ‘‘na terceira democracia do mundo’’.
Estas eleições também podem significar o início de um período de negociações políticas e acordos secretos muito competitivos, que ameaçam dificultar o desenvolvimento do governo deste imenso país de 206 milhões de habitantes.
Cerca de 112 milhões de eleitores estão inscritos para participar na votação e eleger o parlamento que vai formar a Assembléia Consultiva Popular, a suprema instância indonésia, cuja tarefa consistirá em eleger, no início de novembro, o presidente da república, confirmando ou substituindo o atual titular, Jussuf Habibie, instalado no poder por seu antecessor, Suharto, que se viu forçado a renunciar em maio de 1998.
A campanha eleitoral transcorreu sem a explosão de violência esperada, apesar do incidente que marcou a sexta-feira passada, quando as forças de ordem dispararam no centro de Jacarta contra uma multidão que atacava os partidários de Golkar, o partido que está no poder.
O Golkar, veículo político de Suharto e de Habibie, está acostumado a vencer todas as eleições com ampla maioria e, desta vez, teve um papel pobre ante os outros partidos políticos, especialmente o Partido Democrático Indonésio de Luta (PDIP), de Megawati Sukarnoputri, a filha do presidente fundador da Indonésia, Sukarno.
Durante todo o dia de ontem, a televisão indonésia apresentou pelo menos uma dúzia de anúncios diferentes tentando assegurar as pessoas de que as eleições serão justas. Um desses anúncios mostrava pessoas com fitas cinzas sobre a boca com a seguinte mensagem: ‘‘Agora é o tempo para falar’’.
A grande maioria dos indonésios nunca votou em eleições verdadeiramente livres. O único pleito aberto ocorreu em 1955, logo depois de o país se tornar independente. E as eleições subsequentes foram amplamente manipuladas para assegurar a vitória de candidatos governamentais.
Nessas eleições, os indonésios estarão renovando 462 das 500 cadeiras do Parlamento. O restante da representação é reservado para indicações do Exército. Os novos legisladores, então, se unirão a 200 pessoas nomeadas pelo governo para escolher um novo presidente para o país em novembro.
A campanha desse ano, embora tenha sido considerada pacífica pelo governo, registrou várias casualidades. Pela própria conta do governo, mais de 100 pessoas morreram na segunda-feira, a maioria em acidentes de trânsito enquanto viajavam para comícios.
Na problemática província de Aceh, várias pessoas morreram em ataques de separatistas muçulmanos, que se opõem às eleições de hoje e lutam pela realização de um referendo sobre a independência da região.
Centenas de monitores estrangeiros, incluindo o ex-presidente norte-americano Jimmy Carter, estão no país para auxiliar e fiscalizar centenas de milhares de voluntários indonésios que trabalharão nas eleições.
Megawati Sukarnoputri, cujo Partido Democrático Indonésio para Luta - segundo as pesquisas - deverá sair vencedor nas eleições, conclamou seus partidários a fiscalizarem as urnas e as estações de contagem de votos para evitar fraudes.
Os primeiros resultados das eleições de hoje deverão ser conhecidos de 24 horas a 36 horas depois do fechamento das urnas.France PresseMonitorO ex-presidente norte-americano Jimmy Carter é recebido pelo presidente Jussuf Habibie: auxílio e fiscalizaçãoDas Agências

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