Jacarta - Mais de cem milhões de indonésios elegem hoje seu presidente, pela primeira vez por sufrágio universal, e a votação pode consagrar a ascensão de um popular general reformado, seis anos depois da queda do ditador Suharto.
O ex-ministro da Segurança, Susilo Bambang Yudhoyono, que organizou a luta contra o terrorismo islamita, é o grande favorito, de acordo com as pesquisas no primeiro país muçulmano do mundo por sua população.
A atual chefe de Estado, Megawati Sukarnoputri, em vertiginosa queda nas pesquisas depois de três anos no poder, parece com poucas chances em um primeiro turno no qual se enfrentam cinco candidatos, todos eles velhos membros da elite política e militar indonésia.
Cerca de 153 milhões são convocados a designar por cinco anos o presidente e o vice-presidente, em eleições que são uma prova para o imenso arquipélago de 212 milhões de habitantes, considerado como a quarta democracia do planeta.
Os eleitores poderão confirmar nas urnas a vantagem de Yudhoyono, de 54 anos, que tem um físico que gera confiança e uma imagem de candidato ''limpo'' neste país considerado como um dos mais corrruptos do mundo.
As eleições se realizarão pela primeira vez por voto direto e esta novidade, junto com a ampla utilização da televisão, mudou de maneira dramática as bases do jogo eleitoral. O presidente era eleito antes pelos parlamentares, membros de uma elite perita na arte das intrigas.
Em 1999, a sra. Megawati, cujo partido tinha vencido as eleições legislativas, foi privada da presidência por uma coalizão de partidos muçulmanos, que não queriam ver uma mulher à frente do país. Mas ela foi à forra ao ser eleita em 2001, depois da destituição do presidente Aburrahman Wahid. Entretanto, em três anos seu prestígio, em grande parte devido à notoriedade de seu pai, Sukarno, primeiro presidente e líder carismático, desabou. O ''povo humilde'' que a apoiava e a venerava, virou-lhe as costas, dando uma esmagadora derrota a seu partido nas legislativas de abril.
Este descrédito e o desejo de mudança do eleitorado abriram o caminho à ascensão de Yudhoyono, que rompeu com a presidenta, mostrando assim a imagem de um homem forte que inspira confiança por ter manejado as rédias do Estado nos assuntos de segurança.
A Susilo Bambang Yudhoyono, apelidado de ''SBY'', as últimas pesquisas dão 43,5% das intenções de voto. ''SBY'' supera o general reformado Wiranto, ex-comandante do exército, acusado de crimes contra a humanidade pelos atos de violência de 1999 no Timor Leste, que tem 14,2% das intenções de voto, e de Megawati, com apenas 11,7% de intenções, seguida do presidente do Parlamento, Amien Rais, com 10,9%, e do vice-presidente, Hamzah Haz, com 2,4%.
Se nenhum candidato obtiver a maioria absoluta, o segundo turno será organizado no dia 20 de setembro.

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