Indonésio faz ameaça de atentado a EUA
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sexta-feira, 18 de novembro de 2005
Folhapress 
São Paulo - Um homem mascarado que, segundo autoridades da Indonésia, seria Noordin Mohamad Top o líder do grupo Jeemah Islamiyah, ligado à rede terrorista Al-Qaeda aparece em um vídeo fazendo ameaças de ataques terroristas aos Estados Unidos, Reino Unido, Itália e Austrália.
Os três homens acusados de realizar os atentados suicidas ocorridos no mês passado em Bali, que matou mais de 20 pessoas, também aparecem na fita, dizendo que se consideram ''guerreiros sagrados''.
''Meu irmão e mulher, se Deus quiser, quando vocês virem essa gravação, já estarei no céu'', diz um deles, identificado como Muhammad Salik Firdaus. As imagens foram transmitidas ontem pela rede de TV indonésia Metro, mas a fita tinha sido encontrada havia uma semana pela polícia.
''Enquanto vocês mantiverem seus soldados no Iraque e no Afeganistão e intimidarem os muçulmanos, irão sentir a intimidação e o terror'', afirma o homem que classifica como inimigos os países que apóiam o presidente americano, George W. Bush, e o primeiro-ministro britânico, Tony Blair.
Segundo o vice-presidente indonésio, Yusuf Kalla, que ontem à noite viu o vídeo, o mascarado pode ser Top. A mesma suspeita foi levantada pelo chefe nacional da polícia indonésia, o general Sutanto. De acordo com os policiais indonésios, o líder do grupo terrorista tem escapado dos agentes de segurança nos últimos três anos, morando em diferentes casas alugadas nas regiões mais populosas do país.
Na semana passada, a polícia obteve pistas indicando que Top estava escondido em Semarang, capital da Província de Java Central, mas ele teria conseguido escapar antes que a unidade antiterror chegasse ao local. Entretanto, Top teria deixado para trás o vídeo, que acabou sendo encontrado por agentes policiais e exibido ontem.
Além dessa gravação, policiais também encontraram um outro vídeo onde um homem supostamente de origem indonésia e com o rosto coberto aparece ensinando como fazer uma bomba.
O mascarado afirmou que o primeiro-ministro australiano, John Howard, e o ministro das Relações Exteriores, Alexander Downer, estão levando os australianos ''para a escuridão e aterrorizando os mujahidins'' (guerreiros islâmicos).
Em resposta, Downer afirmou que os australianos não serão intimidados por ''fanáticos'' como Top. ''Temos que deixar claro que não importa o que essas pessoas (os terroristas) façam, nem suas ameaças. Temos a força e a coragem para enfrentar isso'', afirmou ontem o ministro australiano.
Top é acusado de envolvimento direto com ao menos quatro atentados terroristas na Indonésia: os ataques de 2002 em Bali, que mataram 202 pessoas; dois ataques em Jacarta em 2003 e 2004, onde 22 pessoas morreram; e os atentados suicidas ocorridos em outubro passado, que deixaram mais de 20 mortos.
O Jemaah Islamiyah quer estabelecer um Estado islâmico, unindo Indonésia, Malásia, Cingapura e o sudeste das Filipinas. O grupo sofreu uma grande fragmentação nos últimos anos, devido à intensa ação policial.
Mas especialistas em terrorismo afirmam que os membros do Jemaah Islamiyah ainda podem fazer diversos ataques. Além de Top, outros três líderes ainda estão no comando do grupo.


