Jair Rattner
Especial para a AE
De Lisboa
Depois de tornar Dili – a capital de Timor Leste – uma cidade fantasma, o governo indonésio estaria tentando esconder os problemas importando população. Segundo Azancot de Menezes, representante do Partido Socialista de Timor no exterior, milhares de habitantes de Timor Ocidental, a outra metade da ilha, estariam sendo levados para Dili.
‘‘Eles estão tentando maquiar a cidade, para quando os embaixadores dos cinco países que são membros permanentes do conselho de segurança da ONU chegarem lá, dar uma imagem de normalidade’’, afirmou Azancot em Lisboa. As informações teriam sido enviadas por elementos da resistência a partir da rede clandestina que se encontra em Jacarta, capital da Indonésia.
A visita dos embaixadores poderá ter um papel decisivo na decretação de sanções à Indonésia até que o país aceite o envio de uma força da ONU para garantir o reconhecimento dos resultados do plebiscito que decidiu pela independência.
A resistência denuncia a prática de genocídio e deslocações forçadas dos habitantes de Timor Leste. ‘‘Perto de 200 mil pessoas já foram deportadas para Atambua e Kupang, em Timor Ocidental, e para outras ilhas da Indonésia’’, disse Azancot. A população de Timor Leste antes do referendo era de 850 mil pessoas.
Neste momento, existem tropas australianas, neozelandesas e portuguesas prontas para intervir no território. Mais de 2 mil soldados encontram-se na cidade australiana de Darwin.

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