Indonésia pode aceitar força da ONU
Associated Press
Dili
A Indonésia parecia, ontem, menos resistente em aceitar o envio de uma força de paz a Timor Leste. Pela primeira vez, o comandante das Forças Armadas indonésias, general Wiranto, disse a uma delegação do Conselho de Segurança das Nações Unidas que recomendará ao presidente B. J. Habibie que considere a intervenção para acalmar os violentos distúrbios no território.
Jacarta está sob forte pressão internacional para que detenha a onda de massacres perpetrada pelos milicianos pró-Jacarta, apoiados por militares indonésios enfurecidos pela maciça votação dos timorenses, no dia 30, pela independência de Timor Leste.
A delegação da ONU que percorreu as ruas de Dili, a capital timorense, viu bairros inteiros destruídos pelos incêndios. Contudo, a destruição parecia ter sido seletiva, pois havia alguns prédios intactos.
O clima era de calma ontem em Dili, provando, segundo analistas, que a Indonésia tem condições de controlar a situação, se quiser.
Diplomatas estrangeiros reagiram com reservas às declarações de Wiranto, mas indicaram que elas demonstram que as pressões sobre Jacarta começam a dar frutos.
A crise timorense foi o tema predominante dos contatos iniciais dos líderes que participam da reunião anual da Associação para a Cooperação Econômica Ásia-Pacífico (Apec).
O Prêmio Nobel da Paz e líder da resistência no exílio, José Ramos-Horta, exortou Jacarta a aceitar a derrota moral no território e a entregar a destruída região à ONU e o presidente americano, Bill Clinton, suspendeu as vendas de armas à Indonésia para pressioná-la a aceitar a presença da força de paz em Timor Leste.
Clinton anunciou sua decisão horas antes do início da reunião da Apec integrada por 21 países em Auckland, Austrália. Os Estados Unidos já haviam congelado as relações militares com a Indonésia.
Ainda ontem, citando fontes do governo americano, um site na Internet da rede de tevê ABC informou que a Casa Branca está avaliando o envio de suas tropas a Timor Leste como parte de uma força de paz.
Até agora, o governo Clinton havia apoiado a intervenção mas rejeitado o envio de suas tropas alegando que nenhum interesse americano se via ameaçado. Por seu lado, o governo de Londres se ofereceu para participar da força de intervenção e até colocou em estado de alerta 250 tropas de guerreiros gurkas nepaleses, mas insiste em continuar vendendo armas a Jacarta.





