Associated Press
e France Presse
De Dili, Timor Leste
Soldados indonésios e seus auxiliares atacaram um grande número de casas, incluindo a do bispo vencedor do Prêmio Nobel da Paz Carlos Belo, e cercaram e deportaram milhares de pessoas assustadas na capital do Timor Leste nesta segunda-feira.
Um total de 204 funcionários da Missão da ONU em Timor Leste (Unamet) deixaram ontem a ex-colônia portuguesa, invadida pela Indonésia em 1975. Ficaram apenas 129 dos quase mil funcionários que havia a princípio e estes deverão abandonar Dili em breve por causa dos crescentes ataques.
A Austrália começou ontem a retirar milhares de seus cidadãos e membros de organizações humanitárias e da ONU ao mesmo tempo em que criticava a Indonésia por não ter mantido as prometidas lei e ordem em Timor Leste, onde a população votou há uma semana em massa (78,5%) num plebiscito pela independência do território.
Mais de 170 pessoas teriam sido massacradas pelas milícias e pelo Exército indonésio ontem nas localidades de Liquisa, Maubara e Batugade, entre Dili e Atamboa, disse a porta-voz do Centro de Apoio a Timor Leste, Maria do Céu.
De acordo com a resistência timorense, citando uma mulher que fugiu de Dili com seu filho para a cidade de Atamboa, sudeste de Timor, centenas de cabeças presas a estacas podiam ser vistas ao longo de uma estrada que partia da capital.
Pelo menos 30 refugiados timorenses foram mortos ao tentar escapar de um ataque de milicianos pró-Jacarta contra a residência do bispo de Dili, Carlos Ximenes Belo, que foi escoltado pelas forças de segurança indonésias até a cidade de Baucau, 115 quilômetros a leste de Dili. Cerca de 5 mil pessoas estavam refugiadas na residência do bispo e na sede local da Cruz Vermelha quando ocorreu o ataque. De acordo com os poucos jornalistas que permanecem em Dili, a maioria dos agressores era formada por militares indonésios.
O governo português intensificou ontem sua pressão sobre a ONU para o envio de uma força de pacificação a Timor. O secretário-geral da organização, Kofi Annan, reuniu-se com os cinco membros de uma missão do Conselho de Segurança que partiria ontem mesmo para Jacarta a fim de discutir sobre a situação em Timor. Segundo Kofi Annan, o presidente indonésio Jusuf Habibie aceitou adotar ‘‘novas medidas’’ para restaurar a ordem em Timor Leste. Annan não revelou os detalhes destas medidas, mas consultado pela imprensa sobre a decretação da lei marcial, respondeu: ‘‘está na mesa’’ de conversações.
Mais contundente, a secretária de Estado norte-americana Madeleine Albright disse que os Estados Unidos não descartam a possibilidade de uma intervenção americana em Timor Leste se a Indonésia não detiver a onda de violência.
‘‘Os indonésios devem tomar conta da situação ou deixar que a comunidade internacional o faça. De uma forma ou de outra, esta situação não deve continuar’’, disse Albright.
Ainda ontem, o governo indonésio informou que libertará, possivelmente amanhã, o líder da resistência timorense, José Alexandre ‘‘Xanana’’ Gusmão, e permitirá que ele escolha para onde ir. A princípio, Jacarta queria que ele fosse para Dili, onde possivelmente seria assassinado pelos milicianos.O exército indonésio, agindo em conjunto com as milícias integracionistas, forçam esvaziamento de Dili e promovem massacres
France PresseFragilidadeO presidente Habibie aparentemente não controla generais que não se conformam com a perda do Timor LesteFrance PresseLiberdadeO líder máximo da resistência timorense, José Alexandre Xanana Gusmão (d), deve ser libertado amanhã

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