Indonésia enfrenta distúrbios religiosos
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terça-feira, 24 de novembro de 1998
DPA e Reuters 
O presidente da Indonésia, Bacharuddin Jusuf Habibie, afirmou ontem que a onda de violência de muçulmanos contra cristãos que deixou treze mortos domingo em Jacarta foi provocada por indivíduos que não desejam a estabilidade política do país. Habibie ficou preocupado com a violência que começou depois que circularam rumores sobre o incêndio de uma mesquita por parte de jovens cristãos. Sete igrejas cristãs foram incendiadas e outras seis sofreram danos assim como escolas e automóveis na área ocidental de Jacarta, controlada por comerciantes chineses.
De acordo com analistas, os conflitos mostraram o quão frágil tornou-se a convivência social neste imenso país de tantas diversidades.
Devemos ser capazes de controlarmos a nós mesmos. Devemos compreender que não estamos sob o comando de um governo secular e que não nos guiamos por uma única religião, disse o presidente B. J. Habibie.
Também a oposição apelou para a calma ontem, advertindo que, caso contrário, o país poderia ser levado à desordem total.
Durante os 32 anos do governo de ferro de Suharto as diferenças em um país de centenas de grupos étnicos e línguas diferentes foram mantidas em grande medida sob controle.
Desde que Suharto foi obrigado a abandonar o cargo há seis meses, em meio a uma crescente crise social, não surgiu nenhum líder forte no país e a permanência de Habibie no poder é geralmente vista como tênue.
Os distúrbios vêm sendo acompanhados de enérgicos protestos estudantis a favor de reformas políticas. Ontem, o governo pareceu finalmente escutar os pedidos ao anunciar o julgameto de Suhato por corrupção e abuso dos direitos humanos durante seu longo governo.
O governo anunciou que formaria uma nova comissão para investigar a situação econômica do ex-presidente e advertiu que ele poderia ser posto sob prisão domiciliar caso não coopere.
Um dia depois do confronto, várias escolas cristãs permaneceram fechadas e forças de segurança intensificaram patrulhas em toda a capital. Na Indonésia, a religião cristã é professada principalmente pela minoria chinesa. Os extremistas muçulmanos acusam a minoria de ter enriquecido durante a ditadura de 32 anos liderada por Suharto.
Ontem, os distúrbios se estenderam até Timor Leste, a ex-colônia portuguesa anexada pela Indonésia em 1976. Mais de mil pessoas tomaram de assalto um prédio público em Dili, a capital do Timor. Os manifestantes exigiam a retirada das tropas indonésias da região. O governo indonésio negou reportagens afirmando que 44 pessoas haviam morrido durante uma investida militar contra separatistas no Timor Leste. Na capital da província, Dili, milhares de estudantes realizaram um protesto contra a ação militar. Gritando Viva Xanana Gusmão (líder separatista que cumpre uma pena de 20 anos de prisão), os manifestantes acusaram os militares indonésios pela suposta matança.


