Indonésia defende fim da sanção ao Iraque
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sábado, 12 de agosto de 2000
Associated Press De Jacarta 
O presidente da Indonésia, Abdurrahman Wahid, pediu ontem a suspensão das sanções internacionais contra o Iraque, apoiado pelo presidente da Venezuela, Hugo Chávez, em visita a Jacarta. Recém-chegado de Bagdá, Chávez fez um emocionado apelo ao mundo para que tome conhecimento da situação de extremo sofrimento daquele país. Chávez declarou que as sanções adotadas pela ONU contra o Iraque, desde a Guerra do Golfo, são uma injustiça e estão levando as crianças iraquianas a um estado de profunda miséria. Acredito que chegou a hora de acabar com essa medida, ele disse, falando à imprensa por meio de um intérprete.
Chávez contou que seu filho, que o acompanhava na viagem, visitou um mosteiro em Bagdá e viu uma criança nua, morrendo de câncer, sem tratamento. Eles não têm os medicamentos necessários para tratá-lo, disse Chávez.
O presidente da Indonésia, Abdurrahman Wahid, contou aos repórteres, após o encontro com Chávez, no palácio presidencial de Jacarta, que pretendia visitar Bagdá nos próximos meses e exigia que as sanções contra o Iraque terminassem. Eu compartilho dos sentimentos do presidente Chávez acerca do povo do Iraque, disse Wahid, acrescentando que a Indonésia gostaria que o bloqueio ao Iraque fosse suspenso o quanto antes. Na quinta-feira, Chávez encontrou-se com o presidente Saddam Hussein durante uma breve visita a Bagdá.
A viagem provocou a ira dos Estados Unidos e da Grã-Bretanha, que declararam estar preocupados com a credibilidade que estava sendo dada, após essa manifestação dos governos indonésio e venezuelano, ao presidente do Iraque. Representantes da ONU disseram que a ida de Chávez ao Iraque, a primeira de um chefe de estado desde a Guerra do Golfo, em 1991, deu ao Iraque ampla propaganda na mídia internacional por um dia inteiro.
O governo iraquiano estendeu seu tapete vermelho para receber Chávez, proclamando sua visita como uma ruptura com o isolamento e um golpe para Washington. Representantes do governo venezuelano que acompanharam o presidente, entretanto, insistiram em afirmar que a visita não era para discutir sobre política internacional, e sim sobre petróleo, o principal produto de exportação do Iraque. Chávez garantiu que foi recebido com cordialidade por Saddam.
O presidente venezuelano, que goza de popularidade em seu país, possui tradição de desafiar os Estados Unidos em política exterior. Ele sempre alimentou laços com países como Cuba e China e tem saudado a Líbia como um modelo de democracia participativa.
Não me importo se minhas palavras incomodam, disse Chávez ainda em Jacarta. Ele afirmou que o principal propósito de sua viagem era incentivar a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP) a se reerguer, acrescentando ainda que após 40 anos de OPEP, uma nova era começa. No dia 27 de setembro, ele pretende reunir na Venezuela as lideranças dos países-membros da OPEP, o primeiro encontro da organização desde 1975. Chávez convidou Saddam para participar do encontro, mas a oferta foi recusada por razões que são óbvias para todos. Wahid também foi convidado e aceitou participar.
O presidente da Venezuela vem empenhando-se em manter os atuais preços do petróleo, os quais, contrariando mais uma vez o ponto de vista americano, ele não considera altos. Chávez espera que o preço do petróleo permaneça em cerca de US$ 25 o barril. Atualmente, ele é vendido no mercado internacional a US$ 27,50 o barril. Porta-voz do Ministério das Relações exteriores da Indonésio Sulaiman Abdulmanan declarou que seu governo apóia Chávez a manter o preço do petróleo, pois um preço alto é favorável para nós.


