Indonésia comemora o fim de Suharto
Indonésia comemora o fim de Suharto
Maio de 98 em Jacarta: vitória estundantil após 21 dias de crise. Vice assume com respaldo militar, mas também pode partir
France Presse
e Agência Estado
Aos gritos de Enfim livres!, os estudantes indonésios celebraram ontem em Jacarta e em toda a Indonésia a renúncia do presidente Suharto, mas insistiram que continuarão lutando para obter a democratização do regime, o processo contra o ex-ditador e a entrega de sua colossal fortuna ao Estado.
Muitos destes jovens consideram inaceitáveis que o vice-presidente Bacharuddin Yusuf Habibie, que assumiu o poder, ocupe a chefia do Estado e afirmam que continuarão com os esforços que ontem, três meses depois do início de suas manifestações, desembocaram no fim de um regime que durou 32 anos.
Mais de 1.000 estudantes reuniram-se em frente à sede do Parlamento para ouvir o discurso do presidente Suharto, transmitido ao vivo, e celebraram o anúncio de sua demissão. O anúncio aconteceu ontem de manhã na Indonésia (23h05 de anteontem horário de Brasília).
Um dos estudantes se apoderou de um microfone e gritou um resumo do pensamento geral: Nossa luta não terminou. O que pedimos não é apenas a renúncia de Suharto, e também a de Habibie. E queremos que sejam julgados para responder por todo o mal que fizeram. A fortuna de Shuarto é avaliada em 16 bilhões de dólares. Sua família teria acumulado 40 bilhões de dólares.
Suharto anunciou sua renúncia depois de mais de três décadas no poder. Ele deixa a liderança do país em meio à crise política e econômica mais grave dos últimos anos. Quero agradecer a todos e pedir desculpas ao povo, disse Suharto com um leve tremor na voz.
Na mesma cerimônia em que apresentou sua renúncia, televisionada em rede nacional, o vice-presidente, Bacharadin Jusuf Habibie, prestou juramento como o novo presidente do país. Segundo Suharto, Habibie deve permanecer no cargo até 2003. Suharto, de 76 anos, foi forçado a deixar o poder depois que a capital do país, Jacarta, viveu dez dias de manifestações estudantis e distúrbios sociais que custaram a vida de cerca de 500 pessoas.
O ministro da Defesa e chefe das Forças Armadas, general Wiranto, pronunciou-se no fim da cerimônia. As Forças Armadas apóiam a decisão do presidente Suharto de renunciar, assim como a designação do vice Habibie. Os militares irão garantir a segurança nas ruas.
O dirigente opositor muçulmano Amien Rais reuniu-se ontem com o novo presidente. Habibie. À saída do encontro, Rais declarou ter expressado a Habibie que o considera um presidente de transição.
Segundo Rais, apesar do apoio oficial das Forças Armadas ao novo presidente, existe um racha na elite militar. Rais acrescentou que espera que algum dia se investigue e julgue o ex-presidente Suharto e toda sua família. Não se pode permitir que um dirigente corrupto escape do castigo. É uma injustiça que alguém que saqueou todos os recursos naiconais e roubou seu povo não venha a ser castigado.





