Índios equatorianos convocam levante
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terça-feira, 29 de agosto de 2000
Agência Estado De Quito 
A principal organização indígena do Equador convocou ontem a população a um levante popular contra o governo a partir da próxima segunda-feira. O governo está caindo por si só, não por força dos equatorianos, afirmou Antonio Vargas, presidente da poderosa Confederação de Nacionalidades Indígenas (Conaie).
Segundo Vargas, o levante, que terá início a partir do dia 4 de setembro, não tem dia para terminar. As ações indígenas deste tipo consistem basicamente no bloqueio de rodovias. Só que desta vez, a Conaie ameaça o governo do presidente Gustavo Noboa com uma mobilização mais dura do que a de 21 de janeiro passado, que derrubou o governo do presidente Jamil Mahuad.
Os indígenas, que formam cerca de 35% da população equatoriana, acusam Noboa de tentar dissolver o Congresso e de tornar um ditador. Eles criticam também a nova lei de privatizações e a dolarização da economia nacional e pedem o congelamento dos preços do gás doméstico e dos combustíveis por cinco anos.
Noboa promulgou o polêmico projeto das privatizações há uma semana, alegando que o Congresso não discutiu o assunto dentro do prazo estabelecido pela própria lei. O plano de dolarização, por sua vez, foi iniciado em março passado e constitui na troca total do sucre para o dólar a partir do dia 13 de setembro.
Além da Conaie, Noboa que, como vice-presidente, substituiu o presidente Mahuad após a rebelião indígena de 21 de janeiro, apoiada pelo Exército enfrenta a investida dos sindicalistas e políticos de esquerda e centro-esquerda, que ameaçam unir-se aos indígenas no grande protesto nacional. A oposição também acusa o governo de beneficiar os empresários com a lei de privatizações e de levar adiante a dolarização da economia, em prejuízo dos trabalhadores.
O conselho de diretores do Fundo Monetário Internacional (FMI) aprovou anteontem à noite o desembolso de cerca de US$ 37 milhões para o Equador. Os recursos são parte de crédito stand-by de US$ 305 milhões aprovados ao país. Em abril, o país havia recebido a primeira tranche, de US$ 114 milhões. A aprovação do crédito demonstra o apoio do FMI à política econômica do governo, sustentada pelo processo de dolarização, e à lei conhecida como Trole II, disse Juan Falconi, superintendente bancário do Equador.
A lei Trole II foi aprovada este mês e envolve uma série de reformas econômicas, entre as quais a elevação do teto da taxa de juro cobrada pelos bancos nos empréstimos comerciais. Os recursos liberados anteontem estarão disponíveis em aproximadamente duas semanas.
Falconi afirmou que a liberação futura das demais tranches dependerá do cumprimento da meta de déficit fiscal, que prevê déficit abaixo de 4% do PIB.
O superintendente acrescentou que uma missão do FMI, liderada por John Thornton, deverá chegar ao país na primeira semana de setembro, para avaliar as iniciativas de reforma do sistema de impostos que o governo pretende apresentar ao Congresso no próximo mês. No ano passado, a economia do Equador registrou contração de 7% e taxa de inflação de 60%. No começo do mês, conseguiu reestruturar cerca de US$ 6,5 bilhões de dívida vencida em 1999.


