Índios derrubam torres de energia
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 14 de setembro de 2000
France Presse De Caracas 
Sete torres pertencentes às obras de interligação da rede elétrica entre Venezuela e Brasil foram derrubadas por grupos indígenas, que alegam que elas provocam danos ecológicos na região de selva de Gran Sabana (700 km ao Sul de Caracas), conforme informações publicadas pela imprensa local.
Eles alegam que interligação da rede elétrica entre os dois países causa danos ecológicos na região de selva de Gran Sabana, no lado venezuelano
Um funcionário do Governo do Estado de Bolívar onde se encontra o Parque Nacional Gran Sabana , Héctor Herrera, disse que teremos que usar a força policial para impedir que delitos desta natureza continuem a ser cometidos.
Porta-vozes oficiais citados pelo jornal El Nacional confirmaram que os índios pemones derrubaram as torres na região de Mapauri, a 150 quilômetros de Santa Elena de Uairén, povoado do extremo Sul da fronteira com o Brasil, como medida de pressão para que seja mudada a rota das linhas de transmissão de energia.
Segundo um relatório da companhia venezuelana Electricidad del Caroní (Edelca), responsável por levar a rede elétrica ao Brasil, esta é a quarta vez que grupos indígenas atacam as torres, porque já houve outros atos de violência como o sequestro do pessoal da empresa.
O documento informa que os indígenas afrouxaram as bases das torres para que elas ficassem à mercê dos fortes ventos da região, que acabaram por derrubá-las. O governo do presidente Hugo Chávez paralisou, em agosto, a construção da interligação elétrica Venezuela-Brasil, devido a pressões exercidas pelos índios pemones que habitam a região.
Caracas e Brasília fecharam um acordo para que a hidrelétrica de Guri, na Venezuela, que tem uma capacidade de geração de 12.500 megawatts, forneça à região Norte do Brasil 200 megawatts de eletricidade até o ano de 2020.
A linha de transmissão do lado brasileiro (190 km entre Boavista e Paracaimo) está pronta desde julho de 1999. A obra no lado venezuelano ficaria pronta inicialmente no começo deste ano, mas está atrasada. O projeto custará ao todo 180 milhões de dólares para os dois países.
O contrato firmado entre Caracas e Brasília estabelece que se a Venezuela não concluísse o projeto, poderia ter que pagar indenização ao Brasil.


