France Presse
Cidade do México

France PressSobreviventeA jovem índia escapou por milagre do massacreUma onda de indignação generalizada, como poucas vezes se viu, tomou forma no México em reação à matança de 46 indígenas no município de Chenalhó, no Estado de Chiapas (ao sul). Os depoimentos colhidos pela rádio e pela TV, as cenas captadas pelos fotógrafos são dramáticas e comoveram os mexicanos, que aos milhares ligaram para as emissoras a fim de manifestar sua indignação e críticas ao governo por não ter evitado a matança de Chenalhó.
A imprensa também refletiu o clima de indignação que se seguiu ao massacre. O jornal La Jornada considerou que a matança é um sinal de que ‘‘a guerra se instalou entre nós’’.
Em um editorial de primeira página, destacou que apesar das ‘‘vozes de advertência’’ de vários setores, ‘‘os grupos homicidas armados, com a conivência ou o consentimento do poder público, colocaram o país diante de uma nova fase do conflito: a etapa das matanças’’.
Em tom enérgico, o jornal A Crônica garantiu que a ‘‘matança é uma das maiores e mais cruéis da história moderna do país’’.
‘‘É uma vergonha para todos os mexicanos. Não basta indignar-se contra ela’’, continuou.
Governo promete punição O governo mexicano quer punir os criminosos que cometeram o massacre de Chenalhó, mas também evitar que ocorram ‘‘sequelas de reações violentas’’ no Estado mexicano de Chiapas, informou ontem o ministro do Interior, Emilio Chuayffet.
Em declarações à rádio local, Chuayffet disse que as investigações - que por decisão presidencial são realizadas pela Procuradoria Geral da República (PGR) - estão em andamento para evitar que o crime de Chenalhó, onde na segunda-feira morreram 46 indígenas, fique impune.
O ministro disse ainda que deverá punir os responsáveis com todo o peso da lei.
A Diocese de São Cristóvão, liderada pelo bispo Samuel Ruiz, bem como grupos não-governamentais, apontou que os responsáveis pela matança são grupos de ‘‘paramilitares priístas’’ (militantes do oficial Partido Revolucionário Institucional, PRI).
Além disso, o governo pretende evitar ‘‘uma sequela de reações violentas que pudessem fazer com que a violência fosse cíclica’’, continuou Chuayffet.
Caso os assassinatos não sejam esclarecidos ou que as autoridades não dêem apoio suficiente pode haver um ‘‘caminho ascendente na escalada de violência’’.
Quanto ao pedido da Comissão Nacional de Intermediação (Conai) de que o presidente Ernesto Zedillo trasmita ao Congresso uma iniciativa para fazer ‘‘desaparecer os poderes’’ em Chiapas - o que equivaleria a destituir o governador Julio César Ruiz Ferro -, Chuayffet disse que caso não se resolve com soluções políticas.
O ministro garantiu que ninguém está acima da investigação e das leis, motivo pelo qual realizará os interrogatórios, independente de posições políticas, sociais, religiosas ou partidárias.
Chuayffet comentou ainda que alguns problemas na Zona Norte e nos Altos de Chiapas datam dos anos 30 e têm a ver com questões agrárias e religiosas. O ministro ponderou ainda que é necessário um processo de reconciliação em todo o Estado de Chiapas.

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