Indignação ante rumores sobre complô
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quarta-feira, 03 de setembro de 1997
France Presse Londres 
France PresseEmoçãoA jovem que, ajoelhada diante da residência da princesa Diana, é o retrato do sentimento de milhares de pessoas que continuam a fazer fila para deixar mensagens de condolências à família e de pesar pessoal pelo trágico acidente que vitimou a ex-esposa do príncipe Charles Londres reagiu com indignação e menosprezo aos fantasiosos rumores sobre um complô para a morte de Diana e Dodi al-Fayed, que circulam no Iraque, Egito e pela Internet, reservando sua crítica mais dura para o líder líbio Muamar Kadhafi, que acusou os serviços secretos britânicos de crime racista.
O Foreign Office saiu de sua reserva para expressar indignação em termos taxativos, impróprios da linguagem diplomática, em uma carta ao dirigente líbio.
Segundo Kadhafi, Diana e Dodi foram vítimas de um crime racista tramado pelos serviços secretos britânicos, em cooperação com seus colegas franceses, para impedir que um cidadão árabe se casasse com uma princesa inglesa.
Kadhafi, em seu discurso por motivo do 28º aniversário de sua chegada ao poder, qualificou a morte de crime religioso e étnico perpetrado pelo mais vil dos países.
O Foreign Office qualificou as acusações de absurdas.
Essa irritação se insere no degradado clima existente entre Londres e Trípoli desde 1984, quando as duas capitais romperam relações diplomáticas depois que um diplomata líbio matou um policial britânico em Londres.
As relações pioraram ainda mais a partir de 1988, depois do atentado, atribuído à Líbia, contra um avião comercial, que caiu na Escócia, causando 270 mortos.
A primeira versão da teoria do complô surgiu no domingo, quando a agência oficial egípcia Mena disse que os fatos e o ataque racista bárbaro que antecederam o acidente indicam que poderia se tratar de um complô.
O jornal iraquiano Babel, dirigido pelo filho mais velho de Saddam Hussein, precisou que Diana e seu amante foram liquidados pelo MI5, devido às declarações de índole política da princesa.
A estas afirmações, se junta um emaranhado de teorias difundidas pela Internet, que acusam inclusive a Rainha em pessoa. De acordo com outro boato, os assassinos seriam homens de confiança dos fabricantes de minas antipessoais, combatidos por Diana.
Um foro de conversação pela Internet indicou que no carro não viajavam Diana e Dodi e sim uns sósias. O acidente teria sido organizado pelos interessados, para poder entrar no anonimato e viver felizes para sempre.
Mais prisões Em Paris, a Justiça francesa antecipava, ontem, a possibilidade de novas prisões de fotógrafos envolvidos na morte da princesa Diana.
Os fotógrafos presos pela polícia na madrugada de domingo em torno do carro destruído no qual morreram Diana, seu namorado Dodi e o motorista Henri Paul, foram acusados formalmente de homicídio culposo e omissão de socorro, crimes que podem ser punidos com até cinco anos de prisão.
Mas, outros paparazzi participaram do cerco em torno das vítimas e teriam fugido antes da chegada da polícia, motivo pelo qual, segundo fontes confiáveis, o juiz investigador poderia dar novas ordens de prisão ou, pelo menos, convocar outras pessoas para interrogá-los.


