Indígenas pretendem ''tomar'' Quito
Agência Estado
De Quito
Grupos indígenas partiram ontem de vários pontos do Equador em direção a Quito, com o objetivo de tomar pacificamente a capital, enquanto as Forças Armadas reiteravam que não permitiriam a violação da lei e da ordem.
A Confederação das Nacionalidades Indígenas do Equador (Conaie) pretende reunir hoje em Quito 40 mil índios, para pressionar a destituição do presidente Jamil Mahuad e a dissolução do Congresso e da Corte Suprema. O levante indígena coincidirá com um pronunciamento de Mahuad no Congresso, a partir das 10 horas em Quito (13h em Brasília).
Quando um grupo age com violência, tem de ser tratado com violência, advertiu ontem o comandante do Exército, general Telmo Sandoval. Eles aceitaram que evitarão usar a violência. De sua parte, o presidente da Conaie, Antonio Vargas, reafirmou ontem tanto o propósito de obter a renúncia dos chefes dos três Poderes quanto o de agir pacificamente.
Ontem, os militares se mantinham aquartelados. Foram destacados 20 mil homens das três Armas e 15 mil policiais, que atuarão sob comando único, a cargo das Forças Armadas.
Os líderes indígenas são capazes de mobilizar apenas uma minoria dos índios, que representam 40% da população equatoriana. Mas ninguém duvida de sua capacidade de parar o país, que já provaram várias vezes, fechando estradas, cercando cidades e cortando o abastecimento. O levante de hoje deverá contar também com a participação do movimento estudantil, de jovens e de organizações de esquerda.
Grevistas de outros setores decidiram dar uma trégua ao governo. Os trabalhadores da saúde pública anunciaram ontem a suspensão da greve na província de Guayas, a mais importante do país, depois de receber o salário de dezembro. Os motoristas de ônibus, que são proprietários dos veículos, e os taxistas da mesma província também suspenderam a greve, para dar tempo para o governo refletir sobre suas reivindicações: converter suas dívidas contraídas em dólar pela cotação de 15 mil sucres (e não 25 mil, como foi definido pelo decreto de dolarização) e reduzir taxas.





